Uma pesquisa australiana identificou melhora nos sintomas de adultos com depressão moderada a grave que, além do tratamento habitual, receberam orientação para seguir uma alimentação no estilo mediterrâneo. Após 12 semanas, cerca de um terço dessas pessoas apresentou remissão dos sintomas. No grupo que recebeu apenas apoio social, o índice foi de 8%.
O estudo teve poucas dezenas de participantes e ainda precisa ser confirmado por pesquisas maiores. A alimentação, portanto, pode complementar o cuidado, mas não substitui psicoterapia, acompanhamento médico ou medicamentos quando indicados.
A relação entre comida e saúde mental envolve o chamado eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro. Bactérias intestinais produzem substâncias que interferem na inflamação, no sistema imunológico e em mensageiros químicos ligados ao humor.
Alimentos que podem fazer parte da rotina
Entre as opções citadas estão peixes como salmão, atum e sardinha, que fornecem ômega-3; leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, fontes de fibras e vitaminas do complexo B; além de folhas escuras, frutas variadas, castanhas, nozes, sementes e azeite de oliva.
Ovos e carnes magras oferecem vitamina B12 e ferro. Iogurte natural e outros alimentos fermentados também aparecem na lista por auxiliarem a microbiota.
Já o consumo frequente de ultraprocessados, como salgadinhos, refrigerantes, biscoitos recheados e embutidos, foi associado a maior risco de sintomas depressivos. O álcool pode piorar o sono e o humor, além de interferir nos remédios.
Deficiências de vitamina D, B12, ferro e folato podem provocar cansaço e desânimo, confundindo-se com depressão ou agravando o quadro. Exames de rotina ajudam nessa investigação.
Cerca de 10% dos adultos brasileiros já receberam diagnóstico de depressão, o equivalente a mais de 16 milhões de pessoas. As mulheres aparecem com frequência bem maior que os homens. No Dia da Saúde Mental, celebrado neste sábado (10/10), a orientação é buscar acompanhamento profissional. Nenhum alimento cura a doença; alimentação, sono, atividade física, terapia, vínculos afetivos e medicamentos podem integrar o cuidado.








