O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) integrou a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) de matar Ana Clara Machado, de 5 anos, durante um patrulhamento em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A criança brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa quando foi atingida por um disparo de fuzil, segundo a denúncia. O caso ocorreu na manhã de 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno.
Recurso ao STJ
Flávio Bolsonaro assinou, em 2024, um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que determinou que Delaroli fosse levado a júri popular. A Corte negou o pedido. O caso não cabe mais recurso, e o policial aguarda julgamento.
Delaroli era cabo no 12º BPM de Niterói. Ele chegou a ser preso preventivamente, mas a prisão foi substituída por medidas cautelares em novembro de 2021.
Na denúncia, o MPRJ afirma que o policial atirou em direção a uma área residencial e de lazer onde Ana Clara brincava, assumindo o risco de matar. Testemunhas disseram que não houve troca de tiros nem confronto prévio. A promotoria também apontou que a viatura não apresentava sinais de confronto e que foram encontrados no local estojos compatíveis com a munição usada por Delaroli.
O policial declarou que reagiu a uma suposta agressão de traficantes armados. A acusação contestou essa versão. Segundo os autos, moradores tentaram interromper os disparos, e o socorro à menina demorou a ser prestado.
Outros policiais na defesa
O senador também assinou um recurso ao STJ em defesa de quatro policiais militares acusados pelo MPRJ de matar quatro homens em uma emboscada no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em 16 de janeiro de 2020.
A acusação afirma que os agentes ficaram escondidos dentro de um imóvel e atacaram as vítimas de cima para baixo, sem chance de defesa. Os policiais disseram que participavam de uma operação de combate ao tráfico e que deixaram a comunidade depois da prisão de um traficante e do ferimento de um agente.
Nos dois casos, Flávio Bolsonaro atuou com inscrição suplementar da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF). O registro original dele é no Rio de Janeiro. O senador obteve a inscrição no DF em abril de 2021, quando abriu um escritório de advocacia em Brasília.
O escritório Paulo Klein Advogados informou que não vai se pronunciar. O escritório Giusto e Klein Advocacia e Flávio Bolsonaro não responderam aos contatos.
O texto também registra que Flávio Bolsonaro empregou, quando era deputado estadual, a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Morto em 2020, Adriano foi acusado pelo MPRJ de liderar o grupo conhecido como Escritório do Crime.








