A balança não conta toda a história sobre a gordura visceral. Mesmo quem está dentro do peso considerado normal pode acumular esse tecido na região abdominal, perto do fígado, do estômago e dos intestinos.
A gordura visceral é diferente daquela localizada logo abaixo da pele, como a das coxas, dos braços e do chamado pneuzinho. Ela libera substâncias inflamatórias no sangue e envia gordura ao fígado. Com o tempo, pode reduzir a eficiência da insulina, desregular o colesterol e elevar a pressão arterial. O excesso foi associado a diabetes, gordura no fígado, infarto e AVC.
Pesquisas feitas com participantes de um grande banco de dados britânico também relacionaram a gordura visceral ao envelhecimento mais rápido do coração e a um risco maior de demência.
Como fazer uma primeira avaliação
A fita métrica é uma forma simples de verificar a possível presença de gordura visceral. A medição deve ser feita na cintura, na região entre a última costela e o osso do quadril, mantendo a barriga relaxada. Conforme as referências do Ministério da Saúde, o risco aumenta quando a medida passa de 80 cm nas mulheres e de 94 cm nos homens.
Outra referência é comparar a cintura com a altura: ela deve ficar abaixo da metade da estatura. Uma pessoa com 1,60 m, por exemplo, deveria ter menos de 80 cm de cintura.
A avaliação da cintura não substitui o diagnóstico médico. Uma comissão internacional publicada na revista The Lancet, em 2025, defendeu que o IMC não deve ser usado sozinho para diagnosticar obesidade.
O que ajuda a reduzir o acúmulo
Não existe exercício capaz de eliminar gordura apenas da barriga. Ainda assim, a gordura visceral costuma responder cedo às mudanças na rotina. Caminhada, bicicleta e musculação podem ajudar, desde que praticadas com regularidade.
Também é recomendado evitar refrigerantes, sucos de caixinha e o consumo frequente de doces. Feijão, verduras, legumes, frutas e boas fontes de proteína devem fazer parte das refeições. Reduzir o álcool, dormir bem e controlar o estresse são outras medidas citadas.
Sedentarismo, alimentos ultraprocessados, sono ruim e álcool frequente favorecem o acúmulo. Na menopausa, a queda do estrogênio pode deslocar gordura dos quadris para o abdômen.
Medicamentos como Ozempic e Mounjaro reduzem a gordura visceral junto com o peso, mas precisam de indicação médica. Sem alimentação ajustada e treino de força, parte da perda pode ser de músculo.








