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Excesso de peso já alcança 66,8% dos adultos no Brasil
Brasil

Excesso de peso já alcança 66,8% dos adultos no Brasil

Pesquisa aponta avanço da obesidade e relaciona o cenário a mudanças na alimentação e à queda na prática de exercícios físicos.

A parcela de adultos brasileiros com excesso de peso chegou a 66,8% em 2023, ante 40,3% em 1990. O índice reúne casos de sobrepeso e obesidade e indica que dois em cada três brasileiros estavam acima do peso considerado normal para a altura.

Os dados fazem parte da série Carga Global de Doenças (GBD), em estudo publicado neste mês no site da revista Lancet. Entre adultos com 25 anos ou mais, a obesidade passou de 7,8% para 27,7% no período de 1990 a 2023.

O Brasil teve o maior crescimento da obesidade entre os 17 países latino-americanos analisados. Considerando o excesso de peso, Brasil e Colômbia registraram a maior alta na América Latina: 69%. Na região, o aumento médio foi de 47%.

Mudança nos hábitos

A pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Deborah Carvalho Malta, que participou da elaboração do estudo, relaciona o avanço a mudanças na alimentação e na prática de exercícios físicos.

Segundo ela, o país passou por uma transição nutricional nas últimas décadas. Houve redução da desnutrição, mas também piora na qualidade da alimentação. Deborah afirma que a queda da desnutrição está ligada à melhora das condições de vida, ao acesso a alimentos, à merenda escolar, a políticas de proteção social, ao Bolsa Família e à melhora do salário mínimo.

Ao mesmo tempo, alimentos saudáveis foram substituídos por produtos ultraprocessados, que têm altos teores de gordura, açúcar e sódio. A pesquisadora também cita a redução no consumo de feijão, fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

Entre as medidas defendidas por Deborah estão o aumento da taxação sobre ultraprocessados, como refrigerantes, e a redução de impostos sobre carnes, frutas, verduras, hortaliças, arroz e feijão. Ela também destaca a importância do aleitamento materno até os dois anos de idade e da oferta de alimentos saudáveis na merenda escolar.

A pesquisadora aponta ainda o aumento do sedentarismo e da exposição a telas de celulares, computadores e televisão. Para ela, a combinação entre alimentação inadequada e pouca atividade física é determinante para o crescimento do excesso de peso.

O sobrepeso corresponde a um índice de massa corporal (IMC) entre 25,00 e 29,99. A obesidade é definida por IMC de 30,00 ou mais. Deborah alerta que o excesso de peso na infância aumenta a dificuldade de reversão e está associado a doenças crônicas não transmissíveis.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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