A Faixa de Gaza acumulava 68 milhões de toneladas de escombros, segundo cálculo do Banco Mundial, da União Europeia e da ONU divulgado em abril. Para Francesca Albanese, a retirada desse material precisa preservar possíveis provas e restos humanos.
A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados afirmou ter recebido, em agosto, informações confiáveis sobre uma operação de retirada, trituração e transporte de escombros em larga escala.
Albanese declarou que os trabalhos, realizados em áreas sob controle militar israelense, podem dificultar a recuperação e a identificação de pessoas soterradas. Citando autoridades palestinas, ela afirma que mais de 10.000 pessoas estão sob os destroços no território.
"A retirada, a trituração e o deslocamento de escombros em Gaza não devem destruir provas de crimes internacionais, nem impedir a recuperação e a identificação dos restos humanos", disse a relatora.
Mortos e feridos
A guerra de Israel em Gaza deixou mais de 73.000 mortos e 174.000 palestinos feridos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, dirigido pelo Hamas. A ONU considera os dados confiáveis.
O conflito começou após um ataque do Hamas contra Israel, que deixou 1.221 mortos. Em janeiro de 2024, a Corte Internacional de Justiça ordenou que Israel adotasse medidas para prevenir a destruição e preservar provas ligadas às acusações de violações da Convenção sobre o Genocídio.
A especialista, nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos, não fala em nome da ONU. Ela também afirmou que os escombros reúnem restos humanos e elementos materiais que podem ser usados na investigação de supostos crimes internacionais.









