Um relatório da missão internacional de apuração de fatos sobre o Irã aponta possíveis crimes de guerra dos Estados Unidos em dois ataques aéreos e acusa forças iranianas de crimes contra a humanidade. O documento foi publicado nesta quinta-feira (17) por especialistas independentes nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.
As acusações contra os Estados Unidos envolvem ataques que teriam matado ao menos 178 civis, entre mulheres e crianças. Um dos bombardeios atingiu a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. A missão concluiu que o prédio era o alvo pretendido e que sua destruição não ocorreu por erro ou dano colateral de uma ação contra um complexo da Guarda Revolucionária vizinho.
Ataques em Minab e Lamerd
O relatório menciona o uso de mísseis Tomahawk contra uma escola descrita como “claramente identificável”. Também cita outro ataque, em Lamerd, no qual mísseis espalharam fragmentos de tungstênio sobre um complexo esportivo e uma área residencial. Segundo os especialistas, 22 civis morreram nesse episódio. O Comando Central dos Estados Unidos negou responsabilidade pelo ataque.
A mídia estatal iraniana informou que 168 pessoas morreram no bombardeio contra a escola, a maioria crianças. Não houve uma contagem final independente. O governo Trump não assumiu diretamente a responsabilidade pelo ataque e não divulgou o resultado de uma investigação do Pentágono.
A ONU informou que encontrou “indícios razoáveis” de que os ataques configuraram lançamento indiscriminado contra civis ou alvos civis. O documento não é vinculante, mas pode ser usado em iniciativas futuras de responsabilização em tribunais internacionais.
Acusações contra Teerã
O relatório também descreve mortes provocadas por forças de segurança iranianas em “escala impressionante”. Entre as violações citadas estão repressão violenta a protestos, disparos de fuzis contra multidões, espancamentos e prisões de profissionais de saúde.
Os especialistas relatam ainda tortura, falta de acesso a advogados e ausência de informações às famílias sobre o paradeiro de detidos. A missão afirma que o governo iraniano ampliou o uso da pena de morte e que mais de 70 pessoas — incluindo cinco mulheres e três meninos — estariam sob risco iminente de execução.
Criada em 2022, a missão é presidida pela jurista Sara Hossain, de Bangladesh. A equipe deve apresentar as conclusões na segunda-feira ao Conselho de Direitos Humanos, formado por 47 países-membros.
O trabalho reuniu entrevistas com 73 pessoas dentro e fora do Irã, além de documentos, imagens de satélite, fotos e vídeos. A missão afirmou que o conflito, o bloqueio da internet e a falta de cooperação dos dois governos dificultaram a apuração. Também pediu que Estados Unidos e Irã interrompam as violações e ofereçam “reparação integral” às vítimas.









