Investigadores independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam haver motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra contra civis no Irã. O relatório será apresentado na segunda-feira (21) ao Conselho de Direitos Humanos, que reúne 47 países.
O documento também registra graves violações de direitos humanos cometidas pelo governo iraniano contra a própria população. Os investigadores pedem o fim das hostilidades, a responsabilização de possíveis autores de crimes de guerra e a concessão de asilo a civis que fogem para o exterior.
Ataques contra civis
De acordo com a missão, ataques dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro incluíram ações indiscriminadas que provocaram mortes, ferimentos e danos a bens civis.
Um dos casos citados envolve mísseis Tomahawk lançados contra a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab. O ataque matou mais de 150 pessoas, entre elas quase 120 meninas e meninos.
Outro bombardeio, em Lamerd, espalhou estilhaços sobre um complexo esportivo e uma área residencial. Segundo o relatório, 22 civis morreram.
Repressão no Irã
O relatório afirma que a resposta do governo iraniano aos protestos iniciados no fim de 2025, motivados pelo aumento do custo de vida, representou uma escalada na repressão à dissidência. As autoridades teriam usado leis repressivas, força letal e a pena de morte como instrumentos de intimidação e controle.
As forças de segurança mataram manifestantes nas 31 províncias, incluindo ao menos 221 menores de idade. Também atacaram centros de saúde e prenderam dezenas de milhares de pessoas.
Entre março e agosto de 2026, ao menos 29 homens foram executados após julgamentos sumários ligados aos protestos. Mais de 70 pessoas, incluindo cinco mulheres e três crianças, permaneciam sob risco iminente de execução.
A missão independente afirmou que os civis estão entre violações cometidas pelo próprio governo iraniano e o conflito com Estados Unidos e Israel. Os investigadores pediram que os três países interrompam imediatamente as hostilidades e defenderam investigações independentes sobre possíveis violações do direito internacional.
Os Estados Unidos rejeitaram o documento e disseram não dar “nenhum crédito” ao relatório. Uma autoridade do Departamento de Estado acusou o Conselho de Direitos Humanos de adotar retórica antiamericana e antissemitismo para apaziguar regimes repressivos.








