A Anistia Internacional identificou 377 manifestantes e testemunhas presenciais mortos durante os protestos de 2022 no Irã. Entre eles estavam 56 menores. A organização afirma que ao menos 326 pessoas morreram pelas mãos das forças de segurança.
O relatório publicado nesta quarta-feira (16) aponta 87 autoridades nacionais e regionais como supostos responsáveis pela cadeia de comando da repressão. A Anistia pediu que a Assembleia Geral da ONU crie um mecanismo internacional de justiça penal para levar os principais envolvidos à Justiça.
Entre as vítimas está Minoo Majidi, de 62 anos. Ela foi atingida por esferas de metal durante uma marcha em Kermanshah, no oeste do Irã, em setembro de 2022. A filha dela, Mahsa Piraei, que vive fora do país, afirmou: “Eles a mataram na rua. Ela havia saído às ruas para pedir mudança, para gritar 'liberdade'”.
Protestos e repressão
Os atos começaram em setembro de 2022 com o lema “Mulher. Vida. Liberdade”, após a morte sob custódia de Mahsa Amini. A jovem curda iraniana havia sido detida por supostamente infringir as normas de vestimenta impostas às mulheres no país.
Segundo a Anistia, a resposta das autoridades incluiu assassinato, tortura, estupro e desaparecimento forçado, classificados pela organização como crimes contra a humanidade. “As autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade para esmagar o levante de 2022”, declarou Agnès Callamard, secretária-geral da entidade.
Seis dos 87 nomes citados no documento morreram em bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, durante a guerra iniciada em 28 de fevereiro deste ano.
A organização também afirmou que a repressão aos protestos de 2026 foi “ainda mais letal e de uma magnitude ainda mais estarrecedora” do que a registrada em 2022. As manifestações de 2026 foram desencadeadas pelo aumento do custo de vida e tiveram seu ápice nas noites de 8 e 9 de janeiro.









