A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil em recursos públicos tenham sido desviados para a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação fundamentou a operação realizada nesta quinta-feira (10) contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos.
O caso foi apresentado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. A apuração concentra-se em repasses de emendas parlamentares e outros recursos públicos para empresas ligadas à produtora.
Caminho dos recursos
A PF aponta o Instituto Conhecer Brasil (ICB) como principal captador de recursos da rede investigada. A entidade firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo e recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias. O instituto pertence a Karina Ferreira da Gama, que também é dona da Go Up Entertainment.
Entre setembro de 2023 e agosto de 2024, o ICB movimentou R$ 83 milhões. Parte do dinheiro foi repassada a pessoas ligadas a Mario Frias, em um fluxo que a polícia investiga como possível devolução de recursos públicos.
A investigação identificou pagamentos do ICB a duas editoras ligadas a uma terceira empresa, que depois transferiu valores à Go Up. Conforme a PF, a NTT Brasil, de Heric Dias, enviou R$ 750.000,00 à produtora. O valor é próximo dos R$ 700.000,00 recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, no âmbito do Termo de Fomento n.º 971232.
A polícia afirma que esses elementos ainda não comprovam uma origem direta entre os recursos públicos do ICB e os repasses à produtora. A proximidade temporal, porém, foi considerada relevante para a análise das operações financeiras. O termo só teve tentativas de execução em 2026.
A Go Up Entertainment movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. No período, recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do deputado Mario Frias. As filmagens ocorreram entre outubro e dezembro de 2025.
Flávio Bolsonaro havia afirmado que o filme era financiado apenas com recursos privados. Na mesma época, admitiu ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o projeto. Essa frente é investigada em outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, no caso Master.
A defesa de Karina Ferreira da Gama foi procurada, mas não respondeu.








