O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido da Polícia Federal (PF) para apreender o passaporte de Nathana Lopes Figueiredo e impedir uma viagem dela a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ela estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, quando ele foi preso.
Nathana ligou para um delegado da PF no dia 9 de março, seis dias depois da prisão de Mourão e três dias após a morte dele. Disse que estava “muito abalada” e perguntou se haveria problema em viajar. Também pediu para prestar depoimento por videoconferência depois de chegar ao país árabe. A justificativa foi que a mãe teria fraturado o pé.
Decisão sobre o passaporte
O delegado classificou Nathana como uma “testemunha-chave” e afirmou que a viagem, sem endereço conhecido no destino, poderia comprometer as investigações. Mendonça, relator do caso Master, entendeu que o aviso antecipado indicava disposição de colaborar.
“A reunião dessas circunstâncias permite a conclusão no sentido da intenção de NATHANA LOPES FIGUEIREDO de colaborar com as investigações”, escreveu o ministro.
O processo não informa se ela voltou ao Brasil, se prestou depoimento ou qual teria sido o conteúdo de eventual declaração aos policiais. Também não detalha a relação entre Nathana e Mourão. Os agentes, porém, disseram que os dois eram moradores do apartamento onde ele foi preso.
Um relatório da PF afirma que Nathana estava no imóvel quando o mandado contra Mourão foi cumprido, às 6 horas do dia 3 de março deste ano. O celular dela foi apreendido, assim como os dois aparelhos de Mourão. Segundo os policiais, ele tentou entregar a Nathana, de forma escondida, um relógio de luxo para evitar a apreensão do objeto.
Investigação sobre a morte
Documentos com sigilo levantado por Mendonça nesta sexta-feira, 11, também incluem o relatório da investigação sobre a morte de Mourão. A PF concluiu que ele se enforcou com a própria camisa na carceragem da corporação, em Belo Horizonte.
A apuração analisou imagens de câmeras de segurança, 17 laudos periciais e depoimentos de 17 pessoas, entre agentes da PF, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e presos que estavam no local.
Mendonça arquivou o caso ao concluir que não houve omissão dos policiais federais. Para a PF, Mourão era um dos líderes da “Turma”, grupo acusado de agir com violência contra desafetos de Daniel Vorcaro e de tentar acessar investigações sigilosas contra o banqueiro.
A polícia afirma ainda que Sicário recebia R$ 1 milhão mensais para pagar integrantes do grupo. Em 15 de setembro de 2025, ele teria enviado a Vorcaro uma imagem de pesquisas sobre investigações no sistema interno da PF. O policial federal aposentado Marilson Roseno é apontado como responsável por repassar a tela a Mourão.








