O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantém sob sigilo quebras bancárias e fiscais de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master. Entre os alvos estão empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal pediu em março que dados tarjados de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) fossem liberados. Oito dias depois, apresentou uma nova representação ao gabinete de Mendonça, desta vez solicitando a quebra dos sigilos dos mesmos investigados.
A medida mais ampla foi autorizada pelo ministro. Com isso, Mendonça considerou que o pedido anterior, relacionado aos dados do Coaf, havia perdido o objeto. Auxiliares que acompanham os processos afirmam que relatórios do conselho são mais superficiais do que informações obtidas por meio de quebras bancárias e fiscais.
Entre as empresas atingidas está a Super Empreendimentos, investigada pela PF por supostamente funcionar como canal de pagamentos de Vorcaro a uma milícia privada e a agentes públicos. Também foi incluída a Moriah Asset, fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como principal operador financeiro do ex-banqueiro.
Sob a gestão de Zettel, a Igreja Batista da Lagoinha registrou movimentação considerada atípica de R$ 57 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2015. O faturamento anual informado para a igreja é de R$ 950 mil.
Em ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, que possui “elementos essenciais” para o julgamento desta terça-feira (15). A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a divulgação do documento por considerá-lo “relevante”.
Fachin assumiu a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e determinou o levantamento do sigilo do caso Master, exceto quando houver diligências em andamento. Também ordenou o envio a seu gabinete dos autos dos casos Master e INSS.
A PF ainda não anexou ao processo das quebras o relatório com a análise das movimentações bancárias e financeiras. Por isso, o gabinete de Mendonça avalia que o caso deve continuar sob sigilo.








