Alexandre de Moraes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), discutiram durante a sessão que analisa um relatório da Polícia Federal. O documento aponta Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Moraes afirmou que Mendonça teria pedido, em uma reunião com a PF, que ele fosse incluído em um acordo de colaboração premiada. Também acusou o colega de agir a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país. Mendonça negou e respondeu: “Mentira. Mentira”.
Acusações e testemunhas
Moraes classificou a investigação contra ele como fraudulenta e defendeu que os casos dos dois ministros fossem analisados em conjunto. Ele citou o processo que investiga supostas irregularidades atribuídas a Mendonça, cujo julgamento está marcado para o dia 23.
O ministro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de agentes da PF, advogados e investigadores responsáveis pelo relatório. Segundo Moraes, essas testemunhas poderiam confirmar sua versão sobre a reunião.
Mendonça disse que as pessoas poderiam ser chamadas, mas afirmou que elas mentiriam. Ele também declarou que não responderia mais naquele momento e que usaria seu espaço de fala durante a sessão para se manifestar.
A discussão começou quando Mendonça afirmou que a situação não era uma questão de medo. Moraes interrompeu e perguntou quem teria chamado a PF para exigir a inclusão de um colega em uma delação.
Sessão interrompida
Os investigadores rejeitaram, em maio, uma proposta de delação apresentada por Vorcaro. A avaliação foi de que as informações eram insuficientes. A Procuradoria-Geral da República também descartou o acordo.
A sessão foi suspensa por volta de 13h e deveria ser retomada às 15h, conforme a assessoria do Supremo. Após o intervalo, Fachin informou que os ministros votariam uma proposta de Gilmar Mendes e Flávio Dino para suspender a análise e julgar juntos os casos de Moraes e Mendonça.
A proposta prevê reunir as duas ações e sortear a relatoria. Moraes é relator do processo sobre a trama golpista que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por indicar Mendonça ao STF.







