O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e interrompeu a análise da decisão de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa dos cargos de diretor-geral e diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, respectivamente.
Mesmo com a suspensão formal do julgamento, os votos apresentados antes do pedido de vista garantiram maioria na Segunda Turma do STF para retirar Andrei Rodrigues da direção-geral da corporação. A decisão sobre o afastamento dos dois diretores havia sido enviada para avaliação do colegiado.
Medidas determinadas por Mendonça
A decisão de Mendonça foi tomada nesta terça-feira (8), após pedidos do partido Novo para afastar e prender Andrei. O ministro também ordenou a abertura de uma investigação sobre a elaboração de relatórios de inteligência da PF e suspendeu a produção e o compartilhamento de documentos ligados à atuação de autoridades.
No despacho, Mendonça classificou os relatórios como de “superlativa gravidade e ilicitude”. Ele afirmou ter sido monitorado de forma sistemática pela Polícia Federal. O ministro disse ainda que o advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi alvo da inteligência da corporação.
A crise entre o STF e a Polícia Federal se intensificou depois que Mendonça retirou, em 1º de setembro, o sigilo de documentos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material foi produzido pela PF com dados extraídos do celular do banqueiro e reúne mensagens, encontros e negociações relacionadas a Vorcaro e ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
O documento foi enviado a Mendonça em 27 de agosto. Conforme a Polícia Federal, o aparelho de Vorcaro tinha quatro registros associados ao mesmo número: “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. O contato teria sido repassado ao banqueiro por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em dezembro de 2023.
Na quinta-feira (3), Moraes determinou o envio ao presidente do STF, Edson Fachin, de relatórios que apontariam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. O episódio ampliou o conflito dentro da Corte e levantou questionamentos sobre a produção e a circulação de documentos de inteligência da PF.








