MATA DE SÃO JOÃO (BA) — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste do Bolsa Família não tem motivação eleitoral. O impacto previsto é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões no próximo. Os pagamentos com os novos valores começam em 19 de outubro.
Durigan disse que, se o objetivo fosse influenciar as eleições, o aumento teria sido aplicado antes do primeiro turno. Ele comparou a medida a ações adotadas em 2022, quando a chamada “PEC kamikaze” elevou o benefício de R$ 400 para R$ 600 em agosto, sem justificativa inflacionária.
“Se for só pensando no tema eleitoral, teria de ter feito antes”, afirmou o ministro. A declaração foi dada durante o Fórum CEO Brasil 2026, em Mata de São João (BA).
Como será financiado
Segundo Durigan, o reajuste está previsto no orçamento e não exigirá créditos extraordinários. O financiamento será feito por meio de ajustes internos, com a realocação de uma projeção de gastos previdenciários para cobrir os valores do programa. O compromisso deve ser detalhado em 24 de setembro.
O ministro afirmou ainda que a medida recompõe o poder de compra perdido com a inflação, mas não representa aumento real do benefício. Ele também disse que não espera impacto inflacionário provocado pelo reajuste.
O número de beneficiários caiu de 21,9 milhões, herdados do governo anterior, para 18,7 milhões ao fim de 2025. Durigan atribuiu a redução à organização dos cadastros e à entrada de pessoas no mercado formal de trabalho. De acordo com ele, 91% dos empregos gerados no ano passado foram ocupados por ex-beneficiários do Bolsa Família.
Durigan declarou que a inflação controlada é um “ganho civilizacional” e que o governo mantém o compromisso de deixá-la baixa. Segundo o ministro, a atual gestão presidencial encerrará um ciclo de quatro anos com a menor taxa média de inflação da história do país, entre 4,6% e 4,7%.






