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Crise no STF envolve Moraes e Mendonça após mensagens de Vorcaro
Foto: Bruno Moura/STF
Política

Crise no STF envolve Moraes e Mendonça após mensagens de Vorcaro

Relatórios, pedidos de investigação e divisão entre ministros ampliam a crise provocada pelo caso Banco Master.

As investigações sobre o Banco Master por suspeitas de fraude ao sistema financeiro ampliaram a tensão no Supremo Tribunal Federal. O caso colocou os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em lados opostos, dividiu o plenário e reacendeu a discussão sobre um código de ética para a corte.

A crise também entrou na disputa política. Aliados de Flávio Bolsonaro passaram a usar o mote “fora, Lula; fora, Moraes” antes do ato de 7 de Setembro. Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia intensificaram pedidos de impeachment e prisão de Moraes.

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta (4), sem citar os ministros, que “ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”. O presidente tenta evitar desgaste por causa do conflito envolvendo o STF.

Relatório sobre Moraes

O embate mais recente começou na terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo. O documento reúne mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Master.

Os diálogos indicam que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país. As mensagens também mostram que o ministro fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Os dois teriam se encontrado pelo menos seis vezes desde 2024.

Para Mendonça, o material indica que Vorcaro sabia antecipadamente da prisão e buscava intervenção junto a autoridades envolvidas nos processos.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. Na avaliação dele, Mendonça usou a PF para impor uma investigação contra Moraes sem autorização do plenário, embora ministros do STF só possam ser investigados após aval dos próprios colegas.

Gonet também aparece citado nas mensagens de Vorcaro. Um advogado do banqueiro encaminhou a ele diálogos atribuídos ao procurador-geral, e o filho de Gonet aparece no material. Ele não comentou publicamente as citações.

Reação de Moraes

Mensagens também revelaram que Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. O encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira. Mendonça disse que a reunião tratou de um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário.

Na quinta (3), Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS.

Moraes afirmou que o colega direcionou alvos por motivos pessoais e políticos. Também disse que Mendonça ameaçou afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet.

Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Rodrigues prestassem informações sobre o relatório em até cinco dias. Nesta sexta (4), retirou o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e o juntou ao processo que trata das mensagens.

Ao lado de Lula no Palácio do Planalto, Fachin defendeu um código de ética para ministros, o fim do inquérito das fake news e a modernização da Justiça. “Não haverá precipitação, mas tampouco omissão”, afirmou.

Divisão no plenário

Luiz Fux é apontado como o único apoio certo a Mendonça neste momento. Moraes tem o apoio de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que pediu restrições à presença de delegados da PF nos gabinetes de ministros.

As dúvidas envolvem Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e o próprio Fachin. Os três estão no grupo de Mendonça em temas como a criação de um código de conduta, mas interlocutores dizem que o alinhamento não é total.

A ala ligada a Moraes defende o afastamento temporário de Mendonça dos casos Master e INSS. Pessoas próximas ao ministro rejeitam a proposta e querem incluir o fim do inquérito das fake news nas negociações.

Origem do conflito

Os questionamentos começaram em dezembro de 2025, quando Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso Master no STF. A defesa de Vorcaro alegou ligação do ex-banqueiro com políticos com foro especial.

Depois, mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel mencionaram pagamentos a uma empresa que tem Toffoli como sócio. A PF apontou conflito de interesses, enquanto o ministro afirmou que os valores são lícitos e declarados.

Em 11 de fevereiro, a PF apontou a suspeição de Toffoli. Ele deixou a relatoria no dia seguinte, após uma reunião fechada com os ministros do STF. A supervisão do inquérito passou então para Mendonça.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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