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El Faro mantém operação sob pressão e vigilância em El Salvador
Brasil

El Faro mantém operação sob pressão e vigilância em El Salvador

Carlos Dada relata exílio da equipe, queda nas receitas e aumento dos custos jurídicos do jornal digital salvadorenho.

O jornal digital salvadorenho El Faro opera a partir da Costa Rica depois que toda a equipe de redação deixou El Salvador. O cofundador e diretor da publicação, Carlos Dada, afirmou que o veículo enfrenta queda quase total nas receitas comerciais, além do aumento dos gastos com defesa jurídica e administração.

Dada participou de uma entrevista neste domingo (6), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Ele fundou o El Faro em 1998 com o jornalista Jorge Simán. A publicação foi o primeiro jornal digital nativo da região e se tornou referência em jornalismo investigativo na América Latina, com coberturas no Iraque, em Honduras e no México.

Durante o encontro, Dada disse que fazer jornalismo ficou mais difícil desde sua participação anterior no festival piauí, há doze anos. Ele vive exilado na Holanda e afirmou considerar sua posição um privilégio, apesar dos riscos enfrentados pela equipe.

O cenário se agravou durante o governo de Nayib Bukele, presidente desde 2019. Antes de ser eleito, Bukele elogiava o El Faro. Depois de chegar ao poder, passou a tratar a publicação como adversária. No período, El Salvador caiu da 38ª para a 143ª posição entre 180 países na classificação mundial da liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras.

A equipe também passou a adotar métodos antigos para falar com fontes, diante da intimidação e do monitoramento do governo. Dada relatou que, no primeiro ano da administração de Bukele, funcionários públicos foram submetidos a polígrafos para identificar possíveis colaboradores da imprensa. Para o jornalista, as fontes correm mais riscos e precisam ser protegidas.

Investigações e vigilância

Em 2020, documentos e depoimentos de integrantes da MS-13 levaram o El Faro a denunciar negociações e troca de benefícios entre o governo e líderes de gangues. Cinco anos depois, novas revelações apontaram proximidade entre integrantes do núcleo de Bukele e grupos criminosos.

Dada e outros jornalistas do El Faro foram espionados pelo software Pegasus. O diretor processou o fabricante israelense em um tribunal da Califórnia, e o caso continua em andamento. Jornalistas da publicação também foram monitorados por drones.

Mesmo no exílio, a equipe tenta manter a conexão com a população de El Salvador. Dada afirmou que o jornal busca evitar que se transforme em uma publicação feita apenas para exilados e disse que o medo não deve paralisar o trabalho jornalístico.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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