Carlos Frederico Werneck de Lacerda começou sua trajetória política ligado ao comunismo e terminou como uma das principais lideranças conservadoras do Brasil. Jornalista e orador, tornou-se conhecido por campanhas de oposição que pressionaram governos e influenciaram crises institucionais ao longo do século XX.
Nascido em 1914, Lacerda vinha de uma família com tradição política e aproximação com o socialismo. Seu nome de batismo homenageava Karl Marx e Friedrich Engels. No início dos anos 1930, enquanto cursava Direito, ele ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Em 1935, foi escolhido para discursar na inauguração da Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento antifascista impulsionado pelos comunistas. Depois do fracasso da Intentona Comunista, passou a se afastar das orientações do partido. No final da década de 1930, rompeu de vez com o movimento e foi expulso após acusar os comunistas de autoritarismo e submissão a Moscou.
Da oposição a Vargas ao poder na Guanabara
A partir da ruptura, Lacerda adotou o anticomunismo como eixo de sua atuação. Em 1945, aproximou-se da União Democrática Nacional (UDN), partido ligado a setores conservadores, profissionais liberais e empresários. A legenda defendia o liberalismo econômico, o alinhamento com os Estados Unidos e a moralidade administrativa.
À frente do jornal Tribuna da Imprensa, Lacerda usou denúncias de corrupção para mobilizar a classe média urbana e as Forças Armadas contra os governos. Em 1954, sofreu um atentado a tiros na Rua Tonelero, em Copacabana. O episódio matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz. A investigação apontou Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, como responsável por ordenar a ação.
Lacerda passou a exigir a renúncia de Vargas. A pressão militar e política terminou com o suicídio do presidente em agosto daquele ano.
Em 1960, Lacerda foi eleito governador do recém-criado Estado da Guanabara. Seu mandato incluiu obras de infraestrutura, remoção de favelas e uma administração rigorosa. A meta principal, porém, era chegar à Presidência da República.
Do apoio ao golpe à Frente Ampla
Lacerda foi um dos principais articuladores civis do golpe militar de 1964. Ele esperava que os militares afastassem a esquerda, convocassem eleições diretas em 1965 e abrissem caminho para sua candidatura.
Os generais, no entanto, permaneceram no poder, cancelaram as eleições e prorrogaram os mandatos. Em 1966, Lacerda criou a Frente Ampla, movimento que reuniu antigos adversários: João Goulart e Juscelino Kubitschek.
A aliança foi proibida após a edição do AI-5, em 1968. Lacerda também teve os direitos políticos suspensos por dez anos.
A trajetória terminou em 1977, quando morreu longe das urnas que pretendia disputar. Apesar da passagem inicial pelo comunismo, sua carreira política foi marcada pelo conservadorismo, pelo liberalismo econômico e pelo anticomunismo.








