SÃO PAULO — A trajetória de Paulo Salim Maluf ajudou a consolidar uma corrente conservadora na política brasileira. Ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, ele construiu sua carreira com apoio ao regime militar, defesa da ordem pública e aposta em grandes projetos de infraestrutura.
Ascensão durante o regime militar
Maluf assumiu seu primeiro cargo de destaque em 1969, quando foi nomeado prefeito de São Paulo. Como a escolha não ocorreu por voto popular, a nomeação reforçou sua proximidade com os generais e com empresários paulistas daquele período.
Ele entrou na política partidária pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda que apoiava a ditadura civil-militar. Em 1978, venceu Laudo Natel na convenção do partido e chegou ao governo paulista por eleição indireta, apesar da preferência do então presidente Ernesto Geisel pelo adversário.
Essa trajetória colocou Maluf no campo da direita conservadora. Sua atuação combinava apoio ao autoritarismo, defesa da estabilidade econômica e rejeição à influência de movimentos de esquerda nas instituições.
Obras, ordem e o malufismo
Na administração pública, o malufismo ficou associado à concentração de recursos em obras visíveis. Entre os exemplos estão o Elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, além de rodovias e túneis na capital paulista.
O modelo priorizava o desenvolvimento urbano, a expansão do capital privado e o mercado imobiliário. Segurança pública e ordem urbana também ocupavam espaço central no discurso, aproximando Maluf de eleitores tradicionais e contrários a políticas progressistas.
A expressão “rouba mas faz” acabou ligada à imagem do político, embora ele nunca tenha adotado oficialmente o termo. A frase resumia a tolerância de parte do eleitorado a denúncias de superfaturamento quando havia entrega de obras. Em 2018, condenações por improbidade e ocultação de bens levaram à prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
A disputa de 1985
Com a extinção da Arena, em 1980, o grupo passou a se organizar no Partido Democrático Social (PDS). Na sucessão presidencial de 1985, Maluf derrotou o ministro Mário Andreazza na disputa interna e virou o candidato da direita governista.
A candidatura provocou resistência entre setores moderados do PDS. A ruptura levou dissidentes a criar a Frente Liberal, que depois se tornaria PFL e, mais tarde, Democratas. O novo grupo se aliou ao PMDB e contribuiu para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.
Depois da derrota, Maluf permaneceu ligado ao mesmo campo político. O PDS passou por novas mudanças e virou PPR em 1993, PPB em 1995 e, posteriormente, Partido Progressistas (PP).
Nas décadas de 1980 e 1990, Maluf atraiu empresários, setores das classes médias conservadoras e eleitores periféricos interessados em respostas rápidas para problemas de infraestrutura. Essa combinação consolidou sua imagem como gestor enérgico e alinhado ao capital, além de manter sua influência na direita brasileira.








