Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado e anunciou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), depois de meses de ataques contra o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
A mudança ocorreu após uma campanha em que Salles questionou as credenciais políticas de Prado e fez acusações que chegaram a ser analisadas pela Justiça Eleitoral. Em maio, ele havia declarado que não existia “a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado”.
Acusações sobre ex-assessor
Um dos principais alvos dos ataques foi José Renato da Silva, ex-assessor ligado ao gabinete de André do Prado e, depois, à liderança partidária do PR/PL na Alesp. Silva trabalhou com André entre 2013 e 2015 e permaneceu como servidor da liderança partidária até 2022.
Em 2023, ele foi condenado, em primeira instância, a 40 anos de prisão por estupro de vulnerável contra duas netas. Salles questionou a permanência do ex-assessor no entorno político de Prado e sugeriu que o deputado teria acobertado o caso.
André negou a acusação. Ele afirmou que desconhecia os crimes e que o funcionário foi afastado depois que as denúncias se tornaram públicas. A tese de acobertamento foi contestada, e parte das declarações de Salles sobre Prado foi considerada falsa pelo TRE-SP.
Multa por vídeos sobre merenda
Em 15 de setembro, o TRE-SP ordenou que três vídeos publicados por Salles fossem retirados do ar e aplicou multa de R$ 5 mil por “desinformação difamatória”. Entre os conteúdos considerados falsos estava a afirmação de que André do Prado e o suplente seriam investigados por desvios relacionados à merenda escolar.
Salles também acusou Prado de ter se aproximado do PT para chegar à presidência da Assembleia Legislativa e o associou ao Centrão. Em outro debate, afirmou que integrantes do PL tinham “rabo preso” com Valdemar Costa Neto. Dois dias depois, chamou André de “marionete de Valdemar Costa Neto”.
Em julho, pressionado pela existência de três candidaturas do mesmo campo político para duas vagas ao Senado, Salles rejeitou retirar seu nome. “Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir”, afirmou na ocasião.
Desistência na reta final
A retirada da candidatura ocorreu a seis dias do primeiro turno. No levantamento divulgado em 24 de setembro, André e Derrite apareciam com 12% das intenções de voto, enquanto Salles tinha 4%. Marina Silva registrava 15%, e Simone Tebet, 14%. Os quatro primeiros estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Depois de anunciar a desistência, Salles declarou apoio a André do Prado e Guilherme Derrite.









