Eduardo Campos construiu uma trajetória política entre a centro-esquerda e o centro pragmático. Neto de Miguel Arraes, ele começou a carreira ligado à esquerda tradicional de Pernambuco, mas passou a defender eficiência na gestão pública, atração de investimentos e responsabilidade fiscal.
Da herança familiar ao governo federal
A ligação com Arraes aproximou Campos do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda historicamente associada à centro-esquerda. Em seus primeiros mandatos como deputado estadual e federal, na década de 1990, ele defendeu pautas progressistas e fez oposição ao modelo econômico liberal do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em 2004, Campos assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele período, era identificado com o bloco de esquerda que sustentava o governo federal.
Gestão e aproximação com o setor privado
A mudança de perfil ganhou força a partir de 2007, quando Campos assumiu o governo de Pernambuco. A administração passou a priorizar metas de desempenho, produtividade de servidores, desburocratização e atração de investimentos privados.
Ao mesmo tempo, ele manteve programas de assistência social e o diálogo com sua base popular. Essa combinação levou analistas a descrevê-lo como um político capaz de transitar entre diferentes campos. O setor produtivo e o mercado financeiro passaram a vê-lo como uma alternativa segura.
A terceira via em 2014
Na corrida presidencial de 2014, o PSB rompeu com a base aliada e deixou o governo de Dilma Rousseff. Campos tentou se apresentar como uma alternativa à polarização entre governo e oposição tradicional.
Sua chapa teve Marina Silva como vice. Durante a campanha, ele criticou a política econômica, dialogou com o agronegócio e defendeu a independência das instituições financeiras. Essas posições eram associadas à centro-direita, mas Campos rejeitava o rótulo conservador e destacava sua defesa do sistema público de saúde e das políticas sociais.
A morte de Campos em um acidente aéreo, em agosto de 2014, interrompeu o projeto. No segundo turno, o PSB apoiou Aécio Neves, do PSDB. Mais tarde, o partido voltou a alianças com o campo progressista e indicou Geraldo Alckmin para vice na chapa do PT em 2022.
Assim, Campos é geralmente classificado como um político de centro-esquerda que caminhou em direção ao centro pragmático, combinando inclusão social, livre mercado, meritocracia na gestão pública e responsabilidade fiscal.








