O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira, 15 de setembro, a sessão que vai decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por uma suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso por suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.
A sessão será aberta às 10h, conforme o rito definido pelo presidente do STF e relator do caso, ministro Edson Fachin. O encontro será transmitido pela TV Justiça e pela internet.
Como será a análise
Fachin fará as saudações aos ministros após a leitura da ata da sessão anterior. Na sequência, chamará o processo para julgamento e lerá o relatório. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra. A votação começará após a manifestação da procuradoria.
O caso chegou ao plenário por iniciativa de André Mendonça, antigo relator. A Polícia Federal identificou que Vorcaro entrou em contato com um número de celular atribuído a Moraes. As mensagens foram obtidas após a quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro.
Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
O caso se tornou público em 1° de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo do processo e encaminhou as conversas a Fachin. A investigação aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com o número atribuído a Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.
Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e citou Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o ex-banqueiro.
No dia seguinte, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite e perguntou: “Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”. Ele foi preso em 17 de novembro, por determinação do magistrado.
O STF não confirmou se Moraes poderá participar da sessão. A participação de Dias Toffoli também não está definida. Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes integram o plenário.
Qualquer ministro poderá apresentar uma questão de ordem, e um pedido de vista poderá suspender a deliberação. Pela Constituição e pelo Regimento Interno do STF, cabe ao plenário julgar integrantes da própria Corte.
Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens. Após o envio do material a Fachin, ele incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de agir por “motivos políticos”. A inclusão foi desfeita depois por Fachin.
Paulo Gonet defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas. Para o procurador-geral, Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao aprofundar a apuração sobre o caso Master sem autorização prévia do plenário.








