A Polícia Federal investiga o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares enviados pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro que tem Frias como roteirista.
Frias e Karina foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (10). A operação foi autorizada por Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e envolve 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Os recursos foram repassados ao ICB em 2024. A PF analisa contratos assinados pelo instituto e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por Karina. Entre as empresas contratadas estão companhias associadas a doadores da campanha de Frias, ex-assessores do deputado e ao advogado do parlamentar.
A investigação considera a possibilidade de parte dos contratos ter sido criada apenas para encobrir operações. Documentos como notas fiscais, orçamentos e contratos podem ter sido produzidos depois dos serviços indicados e receber datas anteriores para aparentar regularidade.
Movimentações financeiras
A PF também apura transferências entre Frias, as entidades, empresas contratadas e a Go Up Entertainment. As movimentações chegaram a R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Entre os investigados está Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete de Frias. Para os investigadores, agentes públicos e privados podem ter atuado em conjunto para direcionar valores recebidos pelas entidades a empresas subcontratadas, sem comprovação dos serviços.
A apuração considera suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Conexão com “Dark Horse”
A PF tenta esclarecer se há ligação entre as emendas e o financiamento do filme sobre Bolsonaro. Mais de 90% do orçamento da produção teria sido pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam que o financiamento foi tratado com Flávio Bolsonaro. O banqueiro foi preso em novembro de 2025 por suspeitas relacionadas a fraudes bilionárias.
Karina também é investigada em outro caso. Em agosto, Flávio Dino autorizou o compartilhamento de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi. A investigação trata de suspeitas de fraude e desvios em contratos e aditivos entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.








