SÃO PAULO — Moradores relataram problemas em serviços privatizados ou concedidos à iniciativa privada durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). As queixas envolvem abastecimento de água, transporte ferroviário e tarifas de pedágio. Os relatos foram apresentados em uma conversa com Fernando Haddad, candidato do PT ao governo paulista.
Na capital, moradores do Jaguaré ainda enfrentam dificuldades após uma explosão em uma obra da Sabesp. Duas pessoas morreram e dezenas de imóveis foram destruídos no acidente. Eduardo Vieira, mestre de obras que vive na rua atingida, afirmou que as condições dos moradores pioraram e criticou as indenizações oferecidas.
A auxiliar de limpeza Dayana Fernandes Barbosa disse que a falta de água se tornou frequente na Zona Leste de São Paulo. Ela também apontou aumento nas contas e dificuldades para pagar os valores cobrados. Vieira relatou ainda que, em algumas ocasiões, a água apresenta gosto e cheiro.
Falhas no transporte e aumento dos pedágios
A operação dos trens também foi alvo de reclamações. Tayná Oliveira, freelancer, afirmou que passageiros são obrigados a interromper a viagem e procurar alternativas quando a composição deixa de operar.
Em julho, as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade tiveram a circulação interrompida no primeiro dia de operação da concessionária Trivia Trens. Um incêndio fez passageiros caminharem pelos trilhos. A gestão estadual acionou equipes da CPTM, que retomaram a operação do sistema.
O caminhoneiro Marcelo da Paz, morador da Baixada Santista, reclamou do impacto dos pedágios no transporte de cargas. Em julho de 2026, as tarifas em São Paulo subiram 4,72%. No sistema Anchieta-Imigrantes, o valor para veículos de passeio chegou a R$ 40,60 em uma única praça.
Haddad propõe revisão dos contratos
Fernando Haddad defendeu a revisão dos contratos de serviços privatizados. A proposta inclui discutir as condições de prestação, as penalidades por falhas e os preços cobrados.
“Se o governador não sentar para rediscutir os contratos, as multas, as penalidades para falta de serviço e o preço, quem é que vai conseguir botar ordem nisso?”, questionou Haddad.
Os depoimentos também levantaram dúvidas sobre a fiscalização estadual, a continuidade dos serviços e a compatibilidade dos preços com a capacidade de pagamento da população.








