WASHINGTON — O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou apoiar a exigência do governo dos Estados Unidos para que dissidentes políticos no Brasil não sejam detidos, presos ou impedidos arbitrariamente de participar das eleições presidenciais de 2026.
A cobrança foi feita pelo presidente americano, Donald Trump, durante negociações diplomáticas com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O diálogo ocorreu após a aplicação de uma tarifa de 50% ao Brasil. Os Estados Unidos também pediram um compromisso brasileiro com eleições livres e justas.
Em entrevista a jornalistas em Washington, Eduardo disse que os Estados Unidos são uma referência em democracia e que o sistema deve garantir ampla participação de dissidentes. Ele afirmou ainda estar muito feliz com o posicionamento americano.
Exílio e oposição
Questionado sobre se se considera um dissidente, Eduardo foi interrompido pelo influenciador Paulo Figueiredo. O ex-deputado permaneceu ao lado dele e demonstrou concordância com a resposta dada aos repórteres.
Figueiredo afirmou que pessoas obrigadas a se exilar em outro país por criticar autoridades podem ser chamadas de dissidentes. Ele também disse que ambos são dissidentes políticos do governo brasileiro e lamentou a necessidade de exílio.
A exigência sobre as condições do processo eleitoral consta em um documento enviado por negociadores americanos aos brasileiros em outubro de 2025. O texto reúne 21 demandas e, segundo integrantes do governo brasileiro, o pedido estava relacionado à participação do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições deste ano. Bolsonaro foi condenado no ano passado por tentativa de golpe.
Eduardo declarou que a posição americana refletia o receio de que o que acontecia na Venezuela se espalhasse por outros países da região. Ele negou que houvesse interferência e disse que os Estados Unidos buscavam evitar censura e garantir respeito à oposição durante o processo eleitoral.
O Itamaraty não comentou oficialmente o teor da proposta. O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não responderam aos pedidos de manifestação.








