O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o aumento de 15% no Bolsa Família não tem caráter eleitoreiro e está previsto no Orçamento. O reajuste foi anunciado a menos de um mês das eleições presidenciais.
Segundo Durigan, a medida não elevará a despesa geral do governo federal. O objetivo, disse ele, é corrigir o benefício pela inflação para preservar o poder de compra das famílias atendidas pelo programa.
“Não houve crédito extraordinário como no governo passado”, afirmou o ministro. Ele também disse que o governo não pretende dar calote em precatórios e governadores e que o aumento já cabe no Orçamento brasileiro.
O governo federal deve apresentar na próxima quinta-feira (24) as medidas fiscais que vão bancar o reajuste. A estimativa é de impacto de R$ 5,8 bilhões no Orçamento deste ano e de R$ 22,7 bilhões no do próximo ano.
Durigan afirmou que os recursos serão compensados com a retirada de gastos previdenciários. O detalhamento está previsto para 24 de setembro, com medidas para este ano e para o próximo.
Inflação e apostas
A correção considera a inflação acumulada de 15,04% entre março de 2023, quando começou a reformulação do programa, e agosto deste ano. O índice usado é o INPC, que acompanha famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. No mesmo intervalo, o IPCA acumulou alta de 16,3%.
Se o cálculo tivesse como referência agosto de 2022, quando o benefício passou a R$ 600 durante o governo de Jair Bolsonaro, o reajuste pelo INPC seria de 17,5%, levando o valor a R$ 705.
O ministro também afirmou que o governo discute medidas mais duras contra as bets, mas ainda não tomou uma decisão. Em Guarulhos (SP), na sexta-feira (18), Luiz Inácio Lula da Silva disse a apoiadores que, se dependesse de sua vontade, acabaria com as empresas de apostas.
Dados do Ministério da Fazenda mostram que as bets autorizadas no nível federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos ao longo de 2025. Desse total, R$ 36,9 bilhões foram o saldo negativo dos apostadores e viraram receita das casas.
O governo ainda avalia ações para reduzir o endividamento da população. Uma das possibilidades é usar recursos públicos para comprar dívidas antigas de consumidores com baixa chance de recuperação, hoje mantidas na carteira de crédito dos bancos.








