O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (17) que não tem “nada a temer” diante do impasse na Corte relacionado ao caso do Banco Master. Em nota divulgada pelo gabinete, ele disse que continuará cumprindo suas funções apesar de ataques e tentativas de intimidação.
Mendonça declarou que decidiu levar adiante informações recebidas da Polícia Federal já ciente de que poderia sofrer represálias. Segundo o ministro, ele havia sido advertido sobre possíveis ataques contra ele e pessoas próximas.
Ao citar o filósofo alemão Schopenhauer, o magistrado afirmou que ataques pessoais podem ser usados para tentar vencer um debate sem razão. Ele classificou esse tipo de ofensiva como injusta, ofensiva e insultante. “No entanto, nada tenho a temer”, declarou.
Divergência no STF
Essa foi a segunda nota publicada pelo gabinete de Mendonça nesta quinta-feira (17). Mais cedo, ele respondeu a uma manifestação do decano do STF, Gilmar Mendes, em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mendonça afirmou que a divergência é legítima em um tribunal colegiado, mas considerou ilegítima qualquer tentativa de constranger um julgador. Também negou que o relator tenha ameaçado alguém de execração pública ou usado linguagem imprópria para pressionar a saída de uma pessoa de um julgamento.
Na terça-feira (15), Mendonça e Gilmar Mendes trocaram críticas durante uma sessão extraordinária. O plenário analisou um pedido de ordem apresentado por Gilmar para que Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes fossem julgados conjuntamente.
A votação terminou em 4 a 3 pela manutenção da análise separada dos casos. Na nota, Mendonça disse que, apesar dos ataques e das tentativas de intimidação, seguirá cumprindo seu dever com serenidade e responsabilidade.








