A resposta das mulheres à creatina ainda não é previsível. Uma revisão sistemática com meta-análise encontrou sinais de benefício em alguns tipos de exercício, mas classificou a certeza das evidências como baixa ou muito baixa.
Publicado na última sexta-feira (4), na revista científica Frontiers in Nutrition, o estudo avaliou 34 pesquisas sobre mulheres envolvidas com exercícios ou treinamentos. Os resultados positivos apareceram em testes de força, saltos, sprints, esforços repetidos e resistência à fadiga. Ainda assim, o efeito geral no desempenho foi considerado pequeno.
Resultados variaram entre os estudos
A suplementação não trouxe vantagem clara em todas as avaliações. Algumas pesquisas não encontraram diferença relevante em corrida, natação, testes anaeróbicos ou adaptações ao treinamento intervalado de alta intensidade. Na musculação, também houve resultados diferentes: em alguns trabalhos, as participantes melhoraram; em outros, quem tomou creatina não evoluiu mais que o grupo que recebeu placebo.
A análise sobre composição corporal apontou um pequeno efeito geral, mas reuniu medidas que não seguiram o mesmo padrão. Foram registrados aumentos de massa magra, água corporal ou espessura muscular em parte dos estudos. Em outros, não houve diferença clara entre creatina e placebo. A revisão, portanto, não sustenta que o suplemento aumente músculos ou reduza gordura automaticamente em mulheres.
Os pesquisadores analisaram trabalhos publicados entre 1996 e março de 2026. Ao todo, os estudos envolveram 692 participantes do sexo feminino ou com dados femininos elegíveis. Desses, 21 pesquisas, com 424 participantes, tinham informações suficientes para a análise quantitativa.
Lacunas sobre hormônios e ciclo menstrual
A pesquisa foi conduzida por Yi Lin, Wenfeng Zhu e Banghui Hong, da Guizhou Normal University, na China. O objetivo foi reunir dados específicos de mulheres, já que boa parte da literatura sobre creatina foi produzida com homens ou misturou os sexos sem separar os resultados.
A creatina participa do sistema da fosfocreatina, ligado à reposição rápida de ATP, molécula usada pelas células como fonte de energia. Por isso, seus efeitos são investigados principalmente em esforços curtos e intensos, como musculação, sprints e movimentos de potência.
A revisão destacou que muitos estudos não informam a fase do ciclo menstrual, o uso de contraceptivos ou as transições hormonais das participantes. Há hipóteses de que essas mudanças possam influenciar o metabolismo, o equilíbrio de líquidos e a resposta neuromuscular, mas ainda faltam dados diretos para confirmar essa relação.
Segurança também exige avaliação individual
Para adultos saudáveis, a literatura geral sobre creatina é maior que a produção específica sobre seus efeitos em mulheres. O NIH considera a creatina bem estudada e informa que a creatina monohidratada é a forma mais usada nas pesquisas. Retenção de água e algum aumento de peso podem ocorrer durante a suplementação.
Uma meta-análise publicada em 2025 no BMC Nephrology identificou pequeno aumento da creatinina sanguínea entre usuários, sem redução significativa da taxa de filtração glomerular, usada para avaliar a função dos rins. Os autores consideraram que a alteração pode estar ligada ao metabolismo da creatina, e não necessariamente a uma lesão renal.
Pessoas com doenças preexistentes, que usam medicamentos regularmente, estão grávidas ou amamentando devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação. Os dados atuais apontam possíveis ganhos em exercícios específicos, mas não sustentam uma recomendação universal para todas as mulheres.







