O Unicef pediu 53,8 milhões de dólares (279 milhões de reais) para responder às emergências provocadas pelo El Niño na América Latina. Até 30 de junho, a organização havia arrecadado apenas metade do valor necessário.
A entidade afirma que a preparação precisa ser reforçada, com proteção dos serviços essenciais e apoio às crianças afetadas. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira (30), em um momento em que o fenômeno caminha para ser o mais intenso já registrado.
Impactos por região
Na costa do Pacífico do México e da América do Sul, o aumento das chuvas pode elevar o risco de inundações e causar danos a escolas e estruturas de saúde. Na bacia amazônica, a redução do nível dos rios pode deixar comunidades ribeirinhas isoladas.
A seca deve atingir a produção agrícola na Guatemala, em El Salvador, Honduras e Nicarágua. Segundo o Unicef, isso pode ampliar a insegurança alimentar e o risco de desnutrição entre crianças que já têm dificuldades para acessar alimentos e água.
Bolívia, Colômbia, Chile e Venezuela também enfrentam risco maior de incêndios. No Caribe, o fenômeno pode agravar as crises prolongadas em Cuba e Haiti.
Milhões sob risco
Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância calcula que 25,8 milhões de crianças latino-americanas enfrentam riscos crescentes por causa de secas ou chuvas excessivas ligadas ao El Niño. A previsão é de que os efeitos mais severos ocorram entre outubro e dezembro.
Roberto Benes, diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, afirmou que os impactos podem aumentar a vulnerabilidade dos menores e aprofundar desigualdades. As mudanças climáticas provocadas pela atividade humana também ampliam os efeitos do fenômeno.
A temporada de furacões está sendo influenciada pelo El Niño, segundo Benes. Para ele, uma tempestade de grande magnitude pode provocar destruição generalizada e mudar a vida de centenas de milhares de crianças.









