CARACAS — Pelo menos 194 sites continuam bloqueados na Venezuela, incluindo 84 veículos de notícias, segundo a ONG de direitos digitais VE Sin Filtro. O levantamento foi divulgado no mesmo dia em que a agência reguladora de telecomunicações anunciou a liberação de diversas páginas censuradas havia anos.
A organização verificou o acesso a 10 sites em diferentes provedores de internet. Entre os endereços liberados estão o NTN24 e os veículos venezuelanos El Nacional, Efecto Cocuyo e El Pitazo.
Acesso confirmado
O NTN24 informou que o acesso ao site passou a funcionar em território venezuelano, por diferentes operadoras e sem o uso de VPN, uma conexão criptografada. A confirmação ocorreu após o anúncio da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), que registrou em seu site o “restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de mídia digital nacionais e internacionais”.
A medida foi anunciada nesta quinta-feira (17), horas antes da retomada da segunda rodada de negociações entre o governo interino e a oposição. O encontro será realizado em Caracas e tem como objetivo promover uma transição política. A liberdade de expressão está entre os temas previstos na mesa de diálogo, patrocinada pelos Estados Unidos.
A primeira rodada de negociações ocorreu em agosto. A recomendação para liberar os sites partiu do Programa para a Paz e a Coexistência Democrática, organização não governamental criada pela presidente interina Delcy Rodríguez. O programa afirmou que a proposta veio depois de uma consulta com diferentes setores da mídia.
A chefe da delegação da oposição, Dinorah Figuera, afirmou que a decisão representa “um primeiro passo”. Ela disse que muitos veículos ainda não foram liberados e defendeu a restauração integral e permanente do acesso.
Jornalistas e organizações não governamentais denunciam há anos os bloqueios como forma de censura. O governo Maduro nega a acusação.









