Um tribunal especial para o Kosovo condenou nesta quarta-feira (16) o ex-presidente Hashim Thaçi a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos pela guerrilha kosovar durante a década de 1990. A decisão foi tomada por um painel de juízes internacionais em Haia.
Thaçi, de 58 anos, foi considerado culpado por detenção ilegal, tortura, assassinato e tratamento cruel. O juiz-presidente Charles Smith anunciou a pena durante a leitura do veredicto: “O Tribunal o condena a uma pena única de 25 anos de prisão, com dedução do período de detenção já cumprido”.
A sentença encerra o julgamento em primeira instância, iniciado há mais de três anos. O ex-presidente foi responsabilizado por crimes cometidos pelo Exército de Libertação do Kosovo (ELK) contra forças sérvias durante e logo depois da guerra.
Acusações e conflito
A acusação investigou assassinatos, torturas, perseguições e detenções ilegais em campos no Kosovo e no norte da Albânia. O documento do caso afirma que integrantes do ELK também atacaram centenas de civis sérvios, ciganos e albaneses do Kosovo apontados como opositores políticos.
Quase 13.000 pessoas morreram no conflito, incluindo 11.000 albaneses kosovares, a maioria civis. A guerra terminou após uma campanha de bombardeios da Otan, que forçou a retirada das forças sérvias do território.
Thaçi renunciou à Presidência em novembro de 2020, quando foi acusado, e depois foi levado a Haia, onde ficou detido. Para a maioria dos habitantes do Kosovo de origem albanesa, ele e o ELK são símbolos da luta pela independência.
Em 2008, o Kosovo declarou unilateralmente sua independência. A Sérvia não reconhece a decisão e considera o território uma província. Rússia e China também não reconheceram a independência.









