SUÍÇA — Uma estaca de alumínio de quatro metros instalada no centro da geleira Scex Rouge ficou quase toda exposta em poucos meses. Colocada no fim de julho, ela estava totalmente coberta; agora, mais de três metros aparecem acima do gelo.
O episódio foi observado por Matthias Huss, responsável pela Rede de Monitoramento de Geleiras na Suíça (Glamos), durante medições realizadas neste mês. Do alto da geleira, a quase 3.000 metros de altitude, ele afirmou: “Esta é uma geleira que não está sobrevivendo. Provavelmente, não haverá gelo daqui a 10 ou 15 anos.”
As geleiras suíças perderam 5,5% do volume em 2026, a segunda maior redução anual já registrada no país. Huss classificou o período como “um ano catastrófico”.
O relatório da Glamos mostra que o ritmo de derretimento entre 2022 e 2026 foi mais de duas vezes superior ao de qualquer outro período de cinco anos monitorado. Desde 2021, a perda acumulada chegou a quase 20% do volume de gelo.
Perdas aumentaram na última década
O degelo se intensificou nos últimos anos. Entre 1990 e 2000, as geleiras perderam 10% do volume de gelo suíço. Nos últimos 10 anos, a redução chegou a 27%.
As conclusões foram baseadas em medições feitas em 23 geleiras de referência. O levantamento foi divulgado após junho, julho e agosto registrarem as maiores temperaturas já medidas na Suíça desde o início dos registros, em 1864, segundo o Escritório Federal de Meteorologia e Climatologia.
O país também teve poucas nevascas no último inverno. Huss disse que a falta de neve nas montanhas é difícil de acreditar: “ver as cores das montanhas onde não há mais neve é simplesmente inacreditável”.









