A declaração da cúpula do Brics defendeu que Brasil e Índia tenham um papel maior na Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo o Conselho de Segurança. O documento também criticou tarifas unilaterais no comércio e registrou preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio.
O texto foi divulgado neste sábado (12), após a reunião realizada em Nova Delhi, capital da Índia. Chamado “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, o documento reúne as posições dos países participantes do encontro.
Apoio ao Brasil
China e Rússia, que ocupam assentos permanentes no Conselho de Segurança, reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia de ampliar sua atuação na ONU. A declaração, porém, não menciona de forma específica a entrada do Brasil como membro permanente.
O Conselho de Segurança é formado por 15 países e tem a função de cuidar da manutenção da paz e da segurança no planeta. EUA, China, Rússia, Reino Unido e França são os únicos membros permanentes, com poder de veto.
A reforma defendida pelo Brics busca tornar o órgão mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, além de ampliar a presença de países em desenvolvimento. O Brasil reivindica há décadas um assento permanente.
Comércio e pagamentos
Os signatários manifestaram preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais. Para eles, essas ações distorcem o comércio e não são compatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio.
O documento não cita nominalmente os Estados Unidos nem Donald Trump. Também não menciona a criação de uma moeda própria do Brics ou a substituição do dólar. A declaração registra, no entanto, que os países avançam em mecanismos de pagamentos transfronteiriços usando moedas locais.
Tensões no Oriente Médio
Sobre a situação no Oriente Médio e na Ásia Ocidental, o grupo pediu máxima contenção e a interrupção de ações que possam agravar a crise. O trecho não cita diretamente os países envolvidos e também não usa a palavra guerra.
A reunião contou com Narendra Modi, Xi Jinping, Vladimir Putin, Cyril Ramaphosa e Masoud Pezeshkian. Os Emirados Árabes Unidos enviaram Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Desigualdade
A declaração afirma que erradicar a pobreza, inclusive a extrema, é o maior desafio global e uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável. O documento também registra uma proposta de Brasil e África do Sul para criar um painel internacional sobre desigualdade.
O Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Os países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2025, a presidência do grupo foi exercida pelo Brasil, e a reunião anual ocorreu em julho, no Rio de Janeiro.









