A China chega às negociações com os Estados Unidos mantendo controles sobre terras raras, um recurso usado em produtos de alta tecnologia e cujo processamento é dominado pelo país. A medida ajudou Pequim a pressionar Washington a reduzir tarifas no ano passado, segundo a análise de Dan Wang, diretora da equipe para a China do Eurasia Group.
O presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, se reúnem na Casa Branca em 24 de setembro. A trégua firmada em outubro passado interrompeu a escalada da disputa comercial, mas os dois países ainda não têm um acordo amplo e permanente.
Tarifas e negociações
Em abril de 2025, a tarifa-base dos Estados Unidos sobre produtos chineses alcançou 145%. A China respondeu com uma cobrança de 125%. As taxas foram reduzidas desde então, mas continuam organizadas em políticas específicas para cada setor.
A tarifa efetiva sobre as importações chinesas estava em 22,8% em julho, de acordo com o Penn Wharton Budget Model. Entre os produtos, aço e alumínio tinham cobrança efetiva de 40,5%. A China também mantinha uma tarifa de 10% sobre todos os produtos americanos, além de taxas específicas, como a de 15% sobre gás natural liquefeito.
Os governos discutem um mecanismo de redução tarifária para produtos avaliados em 30 bilhões de dólares (154 bilhões de reais) de cada lado. O Ministério do Comércio da China informou que as consultas estavam em andamento.
Comércio continua
Mesmo com a disputa, o comércio bilateral somou 400,8 bilhões de dólares (2,1 trilhões de reais) entre janeiro e agosto deste ano, conforme dados da alfândega chinesa. O valor representa alta de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações chinesas responderam por 75% do total, deixando o saldo comercial desigual e alimentando a insatisfação de Washington.
Trump disse a jornalistas no domingo que pretende discutir “quase tudo” com Xi. Para Dan Wang, as tarifas são “o principal tema da agenda”. Ela afirmou que o líder chinês precisa obter resultados concretos sobre as cobranças ou uma trégua comercial para participar do encontro.
Outros pontos de atrito
Trump busca garantias de Pequim para a compra de produtos agrícolas americanos, especialmente soja. A reunião também ocorre enquanto os preços mundiais do petróleo estão em alta após a retomada da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. O presidente americano tenta reduzir as preocupações com a economia antes das eleições de meio de mandato de novembro.
O apoio econômico e diplomático chinês ao Irã aparece entre os temas sensíveis. Também há disputa tecnológica, principalmente em inteligência artificial. Na semana passada, o governo dos Estados Unidos acusou laboratórios chineses de roubar capacidades de empresas americanas em “escala industrial”.
A influência diplomática de Xi também ganhou destaque após reuniões neste mês com o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. A visita será a primeira de Xi à capital americana em 11 anos.









