O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta quinta-feira (10) que há sinais de movimentação em Pickaxe Mountain, complexo de túneis construído pelo Irã para proteger instalações de possíveis ataques. A agência, porém, não tem informações concretas sobre o que ocorre no local e nunca realizou uma inspeção no complexo.
Grossi disse que Pickaxe Mountain deverá entrar no roteiro de visitas quando a AIEA voltar a ter acesso ao programa nuclear iraniano. Fordow e Isfahan também estão entre as instalações que deverão ser vistoriadas.
Acesso interrompido
A falta de inspeções, segundo Grossi, está fazendo a entidade perder conhecimento acumulado e continuidade no acompanhamento das atividades nucleares do Irã. O país mantém grande quantidade de material e urânio altamente enriquecido.
“Não estamos recebendo nenhuma cooperação do Irã”, afirmou o diretor-geral à Bloomberg TV. Ele também declarou que não espera recuperar o acesso às instalações no curto prazo. Sobre uma possível retomada, disse: “Para ser muito franco, não vejo isso acontecendo tão cedo”.
Caso no Conselho de Segurança
Grossi relacionou a falta de colaboração de Teerã à decisão do Conselho de Governadores da AIEA de encaminhar o caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU. Para ele, a medida sinaliza a frustração dos integrantes da agência após pedidos sucessivos para que o país reabrisse suas instalações aos inspetores.
O diretor-geral ainda alertou que o avanço dos conflitos internacionais pode levar mais países a considerar a produção de armas nucleares. Na avaliação dele, um cenário com 18 ou 25 Estados nuclearmente armados tornaria o uso dessas armas “100% garantido”.









