O governo do Marrocos rejeitou nesta quinta-feira (10) qualquer responsabilidade oficial pela entrada de migrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. A declaração foi a primeira reação pública de Rabat desde a crise ocorrida no fim de julho.
Em comunicado divulgado pela agência oficial MAP, o Ministério das Relações Exteriores marroquino afirmou: “Nenhum dado, fato ou relatório estabelece qualquer envolvimento das autoridades marroquinas”. O governo também disse que não aceitará ser usado em disputas políticas e eleitorais na Espanha.
Cerca de 70 mil migrantes chegaram ao território espanhol nos dias 30 e 31 de julho, vindos do Marrocos. A entrada ocorreu a pé ou a nado e deixou dezenas de mortos e desaparecidos. A maioria deixou Ceuta nos dias seguintes, mas milhares continuavam no enclave, incluindo pessoas que dormiam nas ruas e nas praias.
Pressão sobre o governo espanhol
A crise aumentou as tensões com os 80 mil habitantes de Ceuta, território com 18,5 km². O enclave abriga uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África.
A manifestação do governo marroquino ocorreu uma semana depois da divulgação de um relatório da polícia espanhola. O documento apontou “permissividade” de policiais do Marrocos e a presença de um contingente “significativamente menor do que o habitual” no período da entrada dos migrantes.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou em várias ocasiões que não existem “evidências sólidas” de que o Marrocos tenha estimulado a chegada em massa. Sánchez enfrenta pressão da direita e da extrema direita, que questionam sua condução da crise.
O Marrocos classificou as acusações como tentativa de transformá-lo em responsável por disputas internas na Espanha. No comunicado, o governo declarou que rejeita ser usado como “bode expiatório” em acertos de contas políticos.









