RPG solo é uma modalidade em que uma única pessoa pode jogar, narrar e tomar decisões dentro de uma aventura. A proposta atende quem tem dificuldade para reunir um grupo com regularidade e pode exigir poucos materiais ou preparação.
A experiência aparece em formatos variados: livros-jogos, diários, baralhos, mapas, tabelas, prompts, oráculos e sistemas adaptados. Em muitos casos, mecanismos de geração aleatória ocupam parte do papel normalmente exercido pelo Mestre. O jogador faz perguntas, interpreta respostas e constrói a história sem saber antecipadamente tudo o que vai acontecer.
Dos livros-jogos aos sistemas solo
Uma das primeiras referências do formato é Buffalo Castle, publicado por Rick Loomis em 1976 para Tunnels & Trolls. A aventura permitia explorar uma masmorra individualmente, com decisões que levavam a diferentes trechos do texto.
No começo dos anos 80, a série Fighting Fantasy ajudou a popularizar os livros-jogos. Criados por Steve Jackson e Ian Livingstone, os títulos usavam parágrafos numerados e ensinavam leitores a lidar com fichas, pontos de vida e combates simples. No Brasil, a Editora Jambô publica traduções da série e também trabalha em livros de autores nacionais.
Entre os lançamentos da editora está A Coroa de Ghanor, baseado no sistema e no mundo próprio do Nerdcast. O livro chegou ao Top 3 da categoria RPG Designer Nacional no Prêmio Ludopedia 2025 e ficou entre os oito indicados de RPG Global.
A aventura solo adapta sistemas tradicionais para o jogo individual, com módulos, tabelas de encontros e cadernos de campanha. Dragonbane, com o suplemento e aventura Sozinho em Fenda de Quedafunda, é um exemplo publicado pela Tria Editora. A editora também oferece Ronin - Contos Sem Mestre, Cosmere RPG: Guerra das Tempestades e Walking Dead RPG, em financiamento coletivo.
Já o jogo solo é criado desde o início para funcionar sem grupo. Odisseia do Gigante coloca o jogador como guardião de um dos últimos gigantes, em uma travessia por um reino destruído por um cataclismo. Em 2026, o título foi indicado à primeira categoria Best Solo Game da história do ENNIE Awards e ficou entre os cinco finalistas.
Oráculos e jogos de escrita
Ironsworn, de Shawn Tomkin, combina movimentos, compromissos narrativos e oráculos para funcionar em partidas solo, cooperativas ou com Mestre. A Tria Editora anunciou a publicação oficial do sistema no Brasil.
Outra possibilidade é usar um oráculo para jogar sistemas como D&D sem Mestre. Publicado no Brasil pela Retropunk, Mythic usa matrizes de probabilidade e tabelas de palavras-chave para responder às perguntas do jogador e criar reviravoltas.
Nos journaling games, escrever faz parte das regras. Cartas, diários, memórias e registros de viagem geram estímulos que o jogador interpreta e transforma em ficção. A campanha pode ser interrompida e retomada depois, sem depender de uma sessão com começo, meio e fim.
Thousand Year Old Vampire, criado por Tim Hutchings, leva essa proposta para uma história sobre um vampiro que atravessa séculos, registrando relações, perdas e memórias. O jogo venceu a medalha de Ouro nas categorias Best Rules e Best Production Values do ENNIE Awards.
O projeto está em financiamento coletivo pela Tria Editora e já alcançou mais de 900% da meta. A expansão de livros, sistemas e ferramentas mostra como o RPG solo passou a ocupar um espaço próprio dentro do hobby, sem abandonar a imaginação e a tomada de decisões que estão no centro do RPG.









