A escolha de um adoçante não deve considerar apenas se ele é natural ou artificial. Para o nutricionista Diego Righi, também é preciso avaliar a quantidade usada, a frequência de consumo, o sabor, a tolerância e o contexto individual.
Estévia, sucralose, aspartame, acessulfame-K e outros edulcorantes autorizados podem ser consumidos dentro dos limites de segurança. Não existe uma opção universalmente mais saudável, segundo o profissional.
O que conferir na embalagem
O consumidor deve começar pela lista de ingredientes, sem se limitar a expressões como “zero açúcar”, “diet” ou “com estévia”. Um produto com adoçante ainda pode conter açúcar. Por isso, é importante verificar os açúcares totais e adicionados, além da quantidade por porção e por 100 g ou 100 ml.
A composição também pode revelar misturas de edulcorantes. Alguns produtos em pó usam maltodextrina, dextrose ou outros ingredientes como veículo. Já os polióis, como sorbitol, maltitol e xilitol, merecem atenção de pessoas com maior sensibilidade gastrointestinal, porque podem causar gases, distensão abdominal ou efeito laxativo quando consumidos em maiores quantidades.
O rótulo frontal pode indicar alto teor de açúcares adicionados, gordura saturada ou sódio. Assim, a ausência de açúcar não torna automaticamente o produto nutricionalmente superior. Produtos com aspartame devem informar a presença de fenilalanina, e alguns itens com grandes quantidades de polióis precisam trazer aviso sobre possível efeito laxativo.
Limite de segurança
A referência para avaliar o consumo é a Ingestão Diária Aceitável (IDA), calculada de acordo com o peso corporal. O valor representa a quantidade que pode ser ingerida diariamente ao longo da vida sem risco apreciável à saúde, mas não deve ser tratado como uma meta.
Para o aspartame, o JECFA, comitê científico da FAO/OMS, mantém uma IDA de 0 a 40 mg/kg de peso corporal por dia. Em uma pessoa de 70 kg, o limite corresponderia a 2.800 mg/dia. Diego Righi ressalta que não há motivo para buscar esse teto e recomenda usar apenas o necessário para deixar a alimentação agradável.
Redução do sabor doce
O uso pode ajudar durante a adaptação do paladar, mas a proposta não é trocar todo o açúcar por grandes quantidades de adoçante. A orientação é reduzir gradualmente a preferência por sabores muito doces.
Uma estratégia citada pelo nutricionista é diminuir o açúcar do café, usar uma pequena quantidade de adoçante se necessário e, aos poucos, reduzir o consumo dos dois. Pessoas com fenilcetonúria devem evitar ou restringir o aspartame por causa da presença de fenilalanina.








