Guarulhos, Sábado, 19 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% Guarulhos 15°C 15° / 25°
Mensagens e documentos apontam contatos de Vorcaro com cinco ministros do STF
Política

Mensagens e documentos apontam contatos de Vorcaro com cinco ministros do STF

Relações do ex-banqueiro com magistrados aparecem em mensagens analisadas pela PF e em documentos ligados ao caso Master.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro e documentos citam relações pessoais e profissionais do ex-banqueiro com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal: Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux.

Toffoli foi o primeiro relator do caso, mas deixou a condução em março, após a PF enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre transferências financeiras entre uma empresa de sua família e fundos ligados ao Banco Master. O afastamento foi decidido em reunião secreta entre os ministros.

A atuação de Toffoli havia sido questionada por decisões como o reconhecimento da competência do Supremo, a convocação de uma acareação com um diretor do Banco Central, a adoção de sigilo elevado e a nomeação de peritos pelo gabinete. Em plenário, ele afirmou que “vários magistrados são donos de empresas”. Documentos também indicam que o ministro viajou, em julho de 2025, em avião de uma empresa que tinha Vorcaro como sócio.

Alexandre de Moraes

Segundo a PF, Vorcaro perguntou a Alexandre de Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso. Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro teria enviado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na segunda-feira (17), ele foi detido enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A análise da corporação também aponta que Moraes fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. O ministro nega ter conversado com Vorcaro no dia da prisão e classificou o caso como “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.

Documentos indicam ainda viagens de Moraes e Viviane Barci, entre maio e outubro de 2025, em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele.

André Mendonça

Mensagens apontam que Vorcaro e André Mendonça se encontraram por cerca de duas horas em 14 de março de 2025, em reunião articulada por um advogado e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). O encontro ocorreu em São Paulo.

Mendonça confirmou publicamente a reunião em 2 de setembro de 2026. Na versão apresentada por ele, o encontro levou de 20 a 30 minutos e teve como tema precatórios do Master.

Vorcaro também recebeu ao menos dois convites para eventos do Instituto Iter, fundado por Mendonça. Um deles foi um debate restrito no Hotel Fasano, em Belo Horizonte, sem confirmação de presença do ex-banqueiro.

Em 3 de setembro deste ano, Mendonça anunciou sua saída da sociedade do Iter e cedeu suas cotas sem contrapartida. Dias depois, Flávio Dino pediu a Fachin uma investigação formal sobre os vínculos entre o Master e o instituto.

Kassio Nunes Marques

Mensagens trocadas por Vorcaro com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, tratam de pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio. Rennó mencionou valores mensais de R$ 500 mil por meio da Consult Inteligência Tributária.

Em 1º de outubro de 2024, Rennó informou a Vorcaro que o STF havia decidido a favor de uma destilaria que receberia indenização da União. O Master mantinha em seu balanço uma carteira de precatórios sucroalcooleiros estimada em R$ 10 bilhões. Kassio, que havia se declarado impedido, reviu a posição e desempatou o julgamento.

Na sessão de 15 de setembro, o ministro negou relação com Vorcaro e disse que o filho nunca prestou serviço nem recebeu pagamentos do Master. Na terça (15), Kassio declarou-se suspeito e deixou de votar em um julgamento do caso.

A assessoria de Kevin informou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos tributários. A assessoria do ministro afirmou que Kassio nunca votou a favor do Banco Master e que o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.

Luiz Fux

Mensagens mostram proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro e também advogado. Em diferentes momentos, Rodrigo chamou o ex-banqueiro de “irmão”. As conversas indicam que ele pediu o envio de informações sobre um compromisso em Londres à secretária de Fux no Supremo, usando um endereço de e-mail com domínio institucional do STF.

Também houve encontros presenciais entre os dois, incluindo uma reunião marcada em Brasília em março, depois do aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. Na sessão de 15 de setembro, Fux afirmou que não havia mensagem com ele e negou ter conhecido ou mantido relação com Vorcaro.

O escritório de Rodrigo Fux declarou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5