A decisão de Kassio Nunes Marques de não participar do julgamento sobre Alexandre de Moraes provocou críticas entre bolsonaristas. O ministro, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, era visto como um possível voto favorável a André Mendonça e à investigação contra Moraes.
Nunes Marques se declarou impedido logo no início da sessão. Atualmente na presidência do TSE, afirmou que os debates poderiam influenciar as eleições de outubro e que, por isso, não se sentia confortável em participar. Impedimento e suspeição são mecanismos jurídicos diferentes.
“Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir [nas eleições], que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”, disse o ministro em plenário.
Reação no campo bolsonarista
A justificativa foi contestada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição na Câmara. Para ele, Nunes Marques deveria ter votado na análise, considerada histórica por aliados de Bolsonaro.
O senador Carlos Portinho, também do PL, afirmou que a decisão pode levar à conclusão de que todos os ministros estão impedidos ou são suspeitos. No grupo ligado à campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, a avaliação foi de que o afastamento evidenciou a existência de um componente político no julgamento.
“Um tiro no pé do André Mendonça”, avaliou um integrante da campanha, sob reserva.
Outra explicação passou a circular entre aliados: a relação de proximidade entre Kevin Marques, filho de Nunes Marques, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Conversas reveladas mencionaram um pagamento de R$ 500 mil feito pelo banqueiro por uma suposta consultoria tributária.
O valor teria aparecido em mensagens trocadas entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Master. Na sessão desta terça-feira, 15, Nunes Marques negou qualquer irregularidade.








