Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que ele pode ter feito um pagamento ligado a um suposto encontro entre uma mulher e o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 28 de fevereiro de 2025, uma mulher identificada como Rayanna na agenda de Vorcaro pediu um endereço e avisou que “as meninas estão prontas”. No mês seguinte, ela voltou a falar com o banqueiro e citou Kassio ao cobrar um valor relacionado ao encontro.
“Ela disse que ficou com Kassio! Ela tá me cobrando aqui”, escreveu Rayanna. Vorcaro pediu os dados e o valor. A interlocutora respondeu “10, né?” e enviou um endereço de e-mail para o pagamento. As conversas não esclarecem a natureza do encontro nem o que o valor representava.
Viagem para cinco pessoas
Outro conjunto de mensagens envolve Leo Serrano, agente de viagens, e uma possível viagem solicitada por Nunes Marques. Em 5 de dezembro de 2024, Serrano encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída ao ministro, com pedido para organizar uma viagem de dez dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas.
O roteiro inicialmente mencionado incluía Viena e deslocamentos para Bratislava, Budapeste, Graz ou Salzburgo. O agente perguntou se deveria prestar o serviço por conta própria ou enviar a cobrança a Vorcaro. No dia seguinte, o banqueiro respondeu: “Sim. Atende. Tudo.”
Em 15 de dezembro, Serrano informou que o ministro, que havia pedido a viagem para o grupo de janeiro, não respondia mais. As mensagens não mostram se a viagem ocorreu nem quem teria pago as despesas.
Caso chega ao plenário do STF
As conversas foram divulgadas nesta terça-feira (15), no mesmo dia de uma sessão extraordinária do STF sobre os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master.
O Plenário analisa a Petição 16.662, que reúne discussões sobre a validade de um relatório da Polícia Federal. O documento foi produzido com dados extraídos do celular de Vorcaro e revelou conversas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
A Corte também pode avaliar a abertura de uma apuração sobre a conduta de Moraes. Edson Fachin é o relator da Petição 16.662 e levou o caso ao Plenário após suspender decisões anteriores relacionadas ao processo.








