SÃO PAULO — A eleição regional que ampliou a presença da AfD, a Alternativa para a Alemanha, é o ponto de partida de um livro sobre a expansão da direita radical. A obra sustenta que esse campo político ganhou força suficiente para ser analisado como uma corrente própria, ao lado da esquerda e da direita tradicionais.
O livro A Direita à Direita da Direita, do jornalista João Gabriel de Lima, será lançado às 19h nesta sexta-feira (11), na Livraria da Travessa de Pinheiros, em São Paulo. O autor participa de um bate-papo com mediação da repórter especial Patrícia Campos Mello e, depois, de uma sessão de autógrafos.
Lima identifica uma articulação internacional ultraconservadora em crescimento desde o início deste século, com presença também no Brasil. Para ele, a ultradireita contemporânea deixou de ser apenas uma vertente do conservadorismo tradicional. “A ultradireita, em sua forma contemporânea, é como um bicho novo na política, que a meu ver veio para ficar”, afirma o escritor.
Agendas diferentes, valores compartilhados
A análise passa por Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Hungria e Polônia. Embora não formem um bloco uniforme, esses movimentos compartilham a rejeição a direitos humanos, ambientalismo, direitos reprodutivos, políticas de afirmação racial e globalismo — conjunto que setores da própria direita chamam de “marxismo cultural”.
As prioridades variam conforme a região. Na Europa, a imigração e a teoria conspiratória da “grande substituição” ocupam lugar central. Na América Latina, o foco recai sobre a chamada “ideologia de gênero”. Nos Estados Unidos, o armamento aparece como tema dominante.
Para Lima, a nova direita se diferencia da tradicional por concentrar sua atuação em valores, e não principalmente em questões econômicas. A formação de uma rede internacional também aproxima discursos e pautas de diferentes países.
Barreiras sob pressão
O avanço da AfD levanta dúvidas sobre a capacidade de partidos de esquerda e da direita tradicional de impedir que grupos ultradireitistas cheguem ao governo após vencer eleições. Na Alemanha, esse bloqueio é chamado de “muro corta-fogo” e depende de alianças entre forças políticas e eleitores distintos.
A estratégia conseguiu conter a ultradireita em Portugal e na Alemanha. O livro, porém, aponta novos testes: a França terá eleições no ano que vem, com Marine Le Pen como favorita, e o Reino Unido terá uma disputa depois, em um cenário no qual os vencedores do brexit da década passada têm grandes chances de formar o governo.
A Direita à Direita da Direita
Preço: R$ 59,90
Páginas: 154
Autoria: João Gabriel de Lima
Editora: Faria e Silva








