O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) pediu mais mobilização no canal de transmissão da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no WhatsApp. Batizado de Tropa do Flávio, o grupo tem 1,7 milhão de membros e, segundo Gayer, deve chegar a dois milhões.
Em áudio enviado aos participantes, o deputado afirmou que o canal ligado à campanha de Lula (PT), chamado Exército do Lula, conseguiu mobilizar a esquerda e estaria influenciando pesquisas de intenção de voto. O grupo é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e está fora do ar.
“Não está ganho. Não vá dormir, não vá deitar em berço esplêndido, não ache que nós já vencemos a eleição”, disse Gayer. Ele também acusou, sem apresentar provas no conteúdo, o crime organizado de financiar a mobilização relacionada ao canal de Lula e citou PCC e Comando Vermelho.
Gayer pediu que os integrantes compartilhem publicações da Tropa do Flávio em grupos, no status do WhatsApp e em outras redes sociais, além de convidarem mais pessoas para o canal.
Disputa no TSE
O Exército do Lula, que reúne mais de 3,4 milhões de seguidores, é alvo de decisões diferentes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da Corte, ministro Nunes Marques, determinou que o canal aguarde 48 horas após o registro na Justiça Eleitoral para retomar atividades de propaganda.
A campanha de Lula formalizou o canal no TSE na terça-feira (13). O registro ocorreu após uma determinação de Nunes Marques, que também suspendeu uma decisão do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, favorável ao restabelecimento do grupo.
A exigência das 48 horas vale para endereços eletrônicos criados antes do período de campanha que não tinham sido informados à Justiça Eleitoral. Apesar do registro, a campanha de Lula não assumirá o controle nem reconhecerá que o canal integrou sua estrutura de comunicação. A administração continua com Janones.
A disputa começou após Flávio Bolsonaro questionar o funcionamento do canal e apontar a divulgação de conteúdos considerados falsos pela Justiça Eleitoral. No domingo (11), Nunes Marques havia determinado a suspensão do grupo, impedindo novas publicações e a entrada de seguidores. Horas depois, Cueva autorizou a retomada.
O PL recorreu, e Nunes Marques suspendeu a decisão de Cueva. O ministro afirmou que o corregedor não poderia rever uma determinação administrativa da Presidência do TSE. O caso ainda será analisado pelo plenário da Corte.
Documentos apresentados ao tribunal indicaram que o canal chegou a 3.424.998 seguidores, acima dos 3,2 milhões identificados pela Presidência do TSE em 10 de outubro. Nunes Marques também mencionou mensagens que orientavam seguidores a interagir com publicações antes de assistir aos conteúdos e a reproduzir narrativas de forma coordenada.
A investigação eleitoral envolvendo Janones, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin continua em tramitação. A decisão foi comunicada ao WhatsApp, e o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para 25 de outubro.








