Edson Fachin avalia assumir as investigações dos casos Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje sob responsabilidade de André Mendonça. A medida seria uma tentativa de conter a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para discutir a disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro serviu para definir como o presidente da corte deve conduzir o momento de conflito entre os ministros.
A discussão começou antes da ordem de Mendonça, na terça-feira (8), para afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A decisão foi analisada pela Segunda Turma do STF e chegou a formar maioria, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.
Disputa interna
O Supremo vive uma disputa pública entre integrantes desde o início da última semana. Fachin já havia retirado do inquérito das fake news o pedido de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
A possibilidade de afastar Mendonça é apoiada pela ala do STF alinhada a Moraes. Esse grupo defende a retirada temporária do ministro da relatoria dos casos enquanto houver dúvidas sobre os métodos adotados.
A avaliação de interlocutores de Fachin é que os ânimos dos dois lados precisam ser controlados. A mudança reduziria o espaço para ataques entre os grupos em disputa.
Na sexta (4), Fachin defendeu o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019, e a criação de um código de ética para o tribunal. Antes de uma cerimônia, ele conversou com Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que pretendia encaminhar as acusações entre os ministros ao plenário do STF.
“A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, afirmou Fachin. Ele também demonstrou insatisfação com os meios escolhidos pelos colegas para levar adiante as medidas de cada lado.
Trajetória
Gaúcho de Passo Fundo, Fachin cresceu no Paraná. Foi procurador do Estado do Paraná de 1990 até 2006, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e advogado.
Ele se formou na UFPR em 1980 e chegou ao STF em 2015, indicado por Dilma Rousseff para a vaga deixada por Joaquim Barbosa. Fachin preside a corte desde 29 de setembro de 2025, quando sucedeu Luís Roberto Barroso.








