Quase quatro milhões de eleitores vão às urnas neste domingo (20) em dois estados da Alemanha. A votação para escolher deputados em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental pode aumentar a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz, cujo governo enfrenta dificuldades para aprovar reformas econômicas e sociais.
Merz convocou uma reunião de crise com dirigentes da CDU, partido de centro-direita que lidera, para avaliar os resultados. Ele também cancelou uma viagem à Assembleia Geral da ONU. As urnas ficam abertas até 18h00 (13h00 de Brasília).
A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, aparece fortalecida nas pesquisas. O partido venceu a CDU na Saxônia-Anhalt há duas semanas, em uma derrota que coincidiu com a queda dos índices de aprovação de Merz. A legenda, porém, não deve conseguir governar em nenhum dos dois estados neste domingo.
Disputa nos estados
Na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a eleição é marcada pela disputa entre o SPD, liderado pela chefe de governo Manuela Schwesig, e a AfD. Pesquisa divulgada pela ZDF aponta 36% de apoio para a AfD e 37% para o SPD. A CDU aparece com 6%.
Em Berlim, a CDU está tecnicamente empatada com o Die Linke, de extrema esquerda. O partido defende medidas drásticas para enfrentar a crise de moradia e tem apoio entre os jovens.
Merz recebeu apoio na quarta-feira de chefes de governo de oito estados governados pela CDU. Em declaração conjunta, eles afirmaram que a Alemanha precisa de “estabilidade, agora mais do que nunca”.
Aprovação em queda
O chanceler está no poder há 16 meses. Quando assumiu, em maio do ano passado, prometeu fortalecer a economia, reconstruir as Forças Armadas diante da Rússia e reduzir a imigração irregular.
A AfD lidera as pesquisas nacionais, enquanto a aprovação de Merz está pouco acima de 10%. Para o pesquisador Roland Abold, do Infratest Dimap, 13% dos entrevistados continuam satisfeitos com a atuação política do chanceler. “É o menor índice já registrado para um chanceler em exercício”, afirmou.
Analistas associam parte das dificuldades às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que elevaram os preços dos combustíveis e afetaram a inflação. A China também passou a competir com a Alemanha no mercado de exportações industriais.
O economista-chefe do banco Berenberg, Holger Schmieding, disse que o aumento nos preços do petróleo e o debate sobre o futuro do combustível ampliam os problemas de Merz. Ainda assim, ele considera mais provável que o chanceler conclua o mandato até 2029.









