Ulrich Siegmund, candidato da Alternativa para a Alemanha (AfD), pode se tornar o primeiro político de extrema direita a chegar ao poder na Alemanha desde a Segunda Guerra. A possibilidade está em jogo na eleição de Saxônia-Anhalt, neste domingo (6).
Com 35 anos, Siegmund disputa o cargo de ministro-presidente do estado, equivalente ao de governador. As pesquisas apontam mais de 40% dos votos para a AfD, classificada pelos serviços de segurança alemães como de extrema direita comprovada. O partido contesta a classificação na Justiça em âmbito federal.
Para Siegmund, são necessárias “45 ou mais” cadeiras para formar uma maioria segura. Os últimos levantamentos indicam que a legenda deve conquistar pelo menos 39 assentos. Sem maioria, militantes e integrantes de grupos extremistas podem ir às ruas alegar fraude, segundo a avaliação apresentada na campanha.
O candidato
Siegmund nasceu em 1990, depois da queda do muro de Berlim. Antes da política, formou-se em psicologia corporativa e criou uma empresa de marketing olfativo com mais de 200 fragrâncias. Uma delas, chamada “Le Patron”, combina notas de limão, maçã verde, cravo e canela e é usada em escritórios e salas de espera.
Ele entrou na CDU aos 18 anos, quando o partido era liderado por Friedrich Merz e Angela Merkel. Em 2014, migrou para a AfD e foi eleito deputado estadual dois anos mais tarde.
A projeção nacional veio durante a pandemia, quando criticou nas redes sociais o confinamento e as restrições sanitárias do governo federal. Em 2024, ganhou destaque dentro da extrema direita após ser identificado em uma reunião com empresários sobre reimigração, termo usado para se referir à deportação forçada.
Na ocasião, Siegmund defendeu uma imagem pública moderada. “Um cara completamente normal, alguém com quem as pessoas pudessem se identificar” era a forma como descrevia a estratégia. As decisões, segundo o relato do encontro, deveriam ser tomadas nos bastidores, com mudanças rápidas para tornar a vida de imigrantes em Saxônia-Anhalt pouco atrativa.
Programa e projeção
O programa de governo da AfD prevê deportações em massa de imigrantes em situação irregular, serviços de saúde sem estrangeiros e uma definição de família formada por homem, mulher e filhos. Também propõe intervenções severas nas áreas de cultura e educação.
O partido ainda promete recuperar aspectos associados à antiga Alemanha Oriental, como o ensino de russo nas escolas, emprego e habitação garantidos. A campanha de Siegmund explorou essas memórias em vídeos para o TikTok e em passeios pelo estado com uma motoneta Simson, relíquia daquele período.
Parte das propostas é considerada inconstitucional ou está fora da competência de um governo estadual. O diretório da AfD em Saxônia-Anhalt também reúne integrantes investigados por discurso de ódio, referências nazistas e desobediência à Constituição.
O gabinete do primeiro-ministro Friedrich Merz discute formas de impedir que um eventual governo da AfD tenha acesso a segredos de Estado e informações sensíveis da administração. Há integrantes do establishment que defendem a proibição do partido.
Siegmund não é o nome da AfD para 2029, próxima eleição federal caso o governo Merz permaneça no cargo. Aliados apontam que Berlim seria um objetivo para 2033, depois de Alice Weidel, principal nome da legenda. Antes disso, ele precisa vencer a disputa regional e formar um governo em Saxônia-Anhalt.








