A tendência brasileira de “farmar aura” saiu das redes sociais e chegou a espaços públicos de cidades da América Latina. Jovens se reuniram em Lima, na capital do Peru, e também participaram de disputas no México, na Argentina, na Venezuela e no Equador.
Nas batalhas, os competidores dançam, fazem poses e exibem movimentos criativos diante do público. Muitos usam fantasias de personagens de histórias em quadrinhos ou filmes de animação. Quem recebe os aplausos e gritos mais intensos avança na competição.
Em uma das apresentações, um participante vestido de Homem-Aranha fez cambalhotas e flexões ao som de música techno. Outro pulou em uma perna só enquanto chutava a outra para a frente. Também houve quem imitasse a comemoração de gol de Cristiano Ronaldo, com os braços estendidos para baixo e o som “siuu”.
Na Argentina, uma batalha reuniu dezenas de pessoas diante do Obelisco, em Buenos Aires. A prática também chegou à Espanha, com eventos em Madri, Burgos e Saragoça.
Liam González, estudante de cinema de 20 anos, participou fantasiado de Shrek. Para ele, o “aura farming” permite que cada pessoa se expresse diante de outras sem constrangimento. Gonzalo Cornelio, de 19 anos, usou uma fantasia do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A ideia foi levada ao Peru por Fernando Lícito, criador de conteúdo que viu em junho um vídeo de uma competição no Brasil. Ele já organizou três batalhas no país. “Quem faz o público fazer mais barulho vence”, afirmou Lícito, de 25 anos.
A professora María Paula Martínez, da Faculdade de Artes da Universidade de Los Andes, na Colômbia, disse que a prática não tem como objetivo tornar os participantes populares, mas transmitir boas vibrações e obter reconhecimento. Para ela, o conceito deixou o ambiente digital e passou a criar oportunidades de socialização entre adolescentes.
A expansão também provocou restrições. Em Miraflores, bairro de Lima, autoridades cancelaram um evento por falta das licenças necessárias. Em julho, o prefeito de Cuiabá negou autorização para um torneio, que acabou transferido para um campus universitário. Na Costa Rica, o Ministério da Educação proibiu as batalhas em escolas públicas por possíveis conflitos entre alunos e prejuízos ao aprendizado.
No México, o secretário de Educação apoiou a tendência e publicou um vídeo dizendo que estava “cultivando uma boa educação”, enquanto o país se preparava para o novo ano letivo.








