Douglas Ruas, candidato do PL, enfrenta questionamentos sobre relações políticas, contratos públicos e negócios de empresas ligadas a ele e à família. Parte dos procedimentos ainda está em andamento, enquanto outras apurações não encontraram pagamentos públicos às companhias investigadas.
O pai de Douglas, Capitão Nelson, é prefeito de São Gonçalo. O irmão, Nelson Ruas Filho, é vereador no município. Antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao governo estadual, Douglas ocupou uma secretaria na administração do pai.
Contratos e relações políticas
Durante a gestão municipal, Douglas comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, responsável por convênios para a entrada de recursos estaduais e federais. Desde 2020, São Gonçalo recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Desse total, R$ 17,2 milhões foram destinados à pavimentação por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, de quem Douglas já havia sido assessor.
Na campanha para a Alerj em 2022, o empresário Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil à candidatura. Três anos depois, uma empresa controlada por ele assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson. O acordo previa R$ 61 mil mensais pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde e foi feito por dispensa de licitação.
Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, havia sido sócia de Neves em duas empresas. Douglas disse desconhecer a contratação e afirmou que não ocupava cargo na prefeitura naquele momento. A prefeitura declarou que seguiu os procedimentos legais.
Apurações e patrimônio
Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest, empresas ligadas a Douglas. O órgão pediu informações à Procuradoria-Geral do Estado, que respondeu não ter encontrado pagamentos do governo às duas companhias.
Um inquérito civil aberto em maio de 2023 também investiga possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.
Empresas ligadas a Douglas e à mulher realizaram, entre 2023 e 2025, compras de imóveis e precatórios avaliados em mais de R$ 15 milhões. Em documento registrado na Junta Comercial, a Saur declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados. Douglas afirmou que a empresa atua no setor de logística e passou a investir em imóveis e ativos financeiros a partir de 2023.
Uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Douglas entre 2023 e março de 2026, apontou possíveis irregularidades. Entre elas está um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento, que teria subido de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões.
O histórico do pai também é citado no caso. Capitão Nelson foi mencionado na CPI das Milícias de 2008 a partir de informações do Disque-Denúncia sobre uma suposta ligação com grupo paramilitar. O inquérito foi arquivado, sem condenação ou processo em curso por aquele episódio.
Os casos não comprovam, por si só, que Douglas Ruas tenha cometido crime. Eles integram os questionamentos sobre a concentração de influência política em São Gonçalo, relações empresariais, dinheiro público e poder familiar.









