A suspensão integral do canal de WhatsApp “Exército do Lula” pode configurar censura prévia, na avaliação do comentarista Nelson Kobayashi. Ele defendeu o restabelecimento da estrutura e afirmou que mensagens falsas ou ilícitas devem ser analisadas e retiradas individualmente.
A declaração foi feita durante o Jornal da Manhã, nesta segunda-feira (12). Para Kobayashi, bloquear todo o canal também impediria a circulação de mensagens de campanha que não apresentassem irregularidades.
“Quando há alguma mensagem ilícita, alguma mensagem de desinformação, a mensagem deve ser retirada”, disse o comentarista. Ele avaliou ainda que a decisão de restabelecer o canal foi correta no mérito e na condução do processo.
Debate sobre mensagens falsas
Lucas Mehero também diferenciou o compartilhamento isolado de uma informação falsa de uma possível ação organizada para disseminar desinformação. Na avaliação dele, o bloqueio completo só poderia ser discutido caso fosse comprovado que o canal funcionava de forma deliberada para divulgar notícias falsas.
Sem essa demonstração, Mehero defendeu a análise das publicações questionadas, sem impedir a comunicação política com os seguidores. Ele também criticou decisões que, segundo sua avaliação, reduziram o alcance de perfis de candidatos durante o período eleitoral.
Disputa judicial
O canal é administrado pelo deputado federal André Janones e acompanhado por mais de 3 milhões de pessoas. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) questionou a estrutura por supostos disparos em massa e divulgação de conteúdos falsos.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, havia determinado a suspensão. Depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, decidiu pelo restabelecimento e defendeu que o caso seja analisado pelo plenário da Corte.
A campanha de Flávio Bolsonaro criticou a decisão e afirmou que publicações irregulares já tinham sido retiradas por determinações eleitorais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também questionou decisões da Justiça Eleitoral durante uma agenda no domingo (11).
As acusações apresentadas pelas campanhas fazem parte da disputa e não foram tratadas pelos comentaristas como conclusões judiciais definitivas sobre o conteúdo do canal.








