A ausência de segundo turno para governador deve alterar pouco a participação na eleição presidencial de 2026, aponta um estudo do BTG Pactual. No cenário projetado pelo banco, a abstenção nacional subiria 0,19 ponto porcentual nos Estados que elegerem o governador no primeiro turno. Considerando apenas as três eleições mais recentes, o efeito seria nulo ou levemente negativo.
O impacto também varia conforme o tamanho dos municípios. Na média das seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002, a falta de uma disputa estadual na segunda rodada foi associada a um aumento de 1,1 ponto porcentual na abstenção presidencial. A diferença caiu para 0,3 ponto quando os Estados foram ponderados pelo número de eleitores e ficou próxima de zero em cidades com mais de 50 mil eleitores.
A análise indica ainda que esse efeito perdeu força com o tempo. Entre 2002 e 2010, a relação era mais acentuada. No período entre 2014 e 2022, a estimativa recuou para 0,4 ponto no painel dos Estados.
Escolaridade pesa mais
O BTG avaliou dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo informações sobre comparecimento e abstenção. Em um dos exercícios, o banco reponderou uma pesquisa Datafolha de agosto pelas taxas históricas de ausência registradas em 2022.
A escolaridade foi o fator que mais alterou a margem entre esquerda e direita. O ajuste provocaria uma mudança de 0,7 ponto porcentual. Sexo, idade e região tiveram impacto menor.
Em outra simulação, o banco calculou como teria sido o resultado de 2022 se todos os eleitores aptos tivessem votado e os ausentes apresentassem comportamento compatível com seus perfis. A margem mudaria entre 1,4 e 2,1 pontos porcentuais, conforme a metodologia. A diferença estaria principalmente ligada à escolaridade.
Entre os 31 milhões de pessoas que não votaram no segundo turno de 2022, 54% tinham no máximo ensino fundamental. Entre os eleitores que compareceram, essa proporção era de 38%. Os abstencionistas com 70 anos ou mais representavam 26%, contra 5% entre os votantes.
Os analistas Tiago Berriel e João Aveiro escreveram que “O canal existe e costuma ser citado, mas os dados sugerem que hoje ele é quantitativamente pequeno”. O estudo ressalta que a influência sobre a margem presidencial ficaria em apenas alguns centésimos de ponto porcentual e não analisou eventual deslocamento de votos entre disputas estaduais e presidenciais.








