A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução para incentivar mapas-múndi com proporções mais próximas do tamanho real dos continentes. A proposta recebeu 164 votos favoráveis. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram.
Batizada de “Corrija o mapa”, a iniciativa tem apoio da União Africana e defende a adoção de modelos que reduzam as distorções da projeção de Mercator, usada tradicionalmente em documentos e livros escolares.
Nesse modelo, regiões próximas aos polos aparecem visualmente maiores do que são. Ao mesmo tempo, áreas perto da linha do Equador ficam proporcionalmente menores. A distorção afeta especialmente a percepção sobre territórios africanos, que podem parecer menores em comparação com países europeus.
Os Estados Unidos justificaram o voto contrário afirmando que a proposta faz parte de um projeto ideológico mais amplo. Yaryna Ferencevych, vice-representante americana no Conselho Econômico e Social da ONU, leu a posição do país em plenário.
“Projeto ideológico muito mais amplo e radical”, declarou Ferencevych ao se referir à iniciativa. A fala não detalhou qual seria esse projeto. O governo Trump costuma usar a ideia de uma guerra cultural ao tratar de pautas que ampliam a visibilidade de países fora do Ocidente.
O mapa defendido pela iniciativa
A alternativa apoiada pelo projeto é a projeção “Terra Igual”, adotada pela União Africana. O modelo busca preservar melhor as proporções entre os continentes e representar as áreas reais das diferentes regiões do planeta.
A resolução afirma que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes. Eles também influenciam a forma como as pessoas enxergam o mundo. Para os defensores da proposta, as distorções podem produzir efeitos cognitivos, educacionais, culturais e geopolíticos, além de manter uma visão desequilibrada entre regiões.
O ministro das Relações Exteriores de Togo, Robert Dussey, país que lidera a iniciativa, disse antes da votação que a decisão seria uma defesa da “verdade científica”. Para ele, o debate também envolve a maneira como povos e territórios são percebidos.
A aprovação não determina o abandono imediato da projeção de Mercator. O texto apenas incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos cartográficos mais precisos.
A proposta também foi relacionada ao Pacto para o Futuro, aprovado pelos países-membros da ONU em 2024. O acordo prevê ações para enfrentar desigualdades históricas e estruturais.








